Por Juliana Romão
A overdose de convivência com os filhos faz com que a gente aprenda um pouco sobre o ser humano, o processo de desenvolvimento da inteligência, o comportamento social, etc, mesmo sem formação em sociologia ou psicologia.
Há uns três meses (pode ser pouco mais ou menos... sou péssima em tudo o que se refere à tempo...), João deu um salto em relação às cores e aprendeu a diferenciar umas das outras, com confusões eventuais, obviamente. A tara inicial foi pelo vermelho, porque é a cor do meu carro. Todo carro avermelhado que passava ele dizia "mamãe carro", bem no estilo índio de falar.
Aos poucos, a visão vai alcançando mais detalhes e ele passou a comentar somente quando o carro tinha o mesmo modelo (um avanço impressionante) e não mais quando havia apenas aproximação na cor. Sempre que isso acontecia minha resposta era "é, é parecido, né?". Obviamente ele não tinha a menor idéia do que era "parecido", mas como me viu falando várias vezes, começou a usar a palavra pra tudo, doido por incluí-la no seu vocabulário (e não é assim que fazemos?).
Na maioria das situações o emprego estava errado, mas foi muito interessante ver como uma palavra entra no nosso mundo. A gente só aprende quando consegue visualizá-la de algum modo. Pois bem, aos poucos, observando mais atentamente (como esses pivetes observam!!), e copiando e copiando, ele foi ajustando a idéia até entender que parecido são as coisas ou pessoas que têm semelhança. Hoje, João usa o termo direitinho, inclusive em situações mais complexas, como para comparar uma pipa grande pregada na parede do quarto com outra bem pequena (com o mesmo formato e cores), colada numa caixa que fica no trocador. Sentado, ontem, ele fez um sinal mostrando as duas e disse: "mamãe, parecido". Fiquei besta. :)
É copiando que se aprende a viver no mundo. Daí tiramos nossas referências. Precisamos ver os outros para entender as coisas, nos situarmos socialmente. Daí a importância gigantesca (e vejo isso todos os dias) do nosso exemplo (a pivetada repete tudo o que a gente diz e fala!!), da convivência com outras crianças, da oportunidade de ver o mundo por outros olhos, sob aspectos diferenciados. Quando a criança vê, convive com outras, se mistura, ela copia tudo (e é copiada) e, nesse processo, se desenvolve e adapta o aprendizado ao seu mundo. Sai do abstrato para o real, numa mistura de socialização, inteligência e formação de personalidade.
1 de dezembro de 2008
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7 comentários:
Amei este quintal!Amei tanto, que escrevi algo sobre este lugar sagrado e seguro.
Beijos!!!!
QUINTAL DE MÃE: LUGAR ONDE TUDO COMEÇA
DA MINHA INFÂNCIA, TRAGO MUITAS LEMBRAÇAS E SINTO MUITAS SAUDADES.
DA MINHA INFÂNCIA, TRAGO LEMBRANÇAS DO CHÃO EM QUE MEUS PÉS PISARAM; DOS GOSTOS E SABORES DOS BOLOS E QUITUTES, QUE MINHA SAUDOSA VÓ NAZARÉ SABIA FAZER COMO NINGUÉM.
DA MINHA INFÂNCIA, TRAGO LEMBRANÇAS DAS BRINCADEIRAS QUE NÃO VEJO CORRER MAIS PELAS RUAS; PIQUE-ESCONDE, AMARELINHA, PIQUE-BANDEIRA, E TANTAS OUTRAS, QUE GARANTIAM A FESTA DA MENINADA.
DA MINHA INFÂNCIA, SINTO SAUDADE DA INOCÊNCIA E DA PUREZA QUE SÃO AS PRIMEIRAS VÍTIMAS A SE PERDEREM NO TEMPO.
DA MINHA INFÂNCIA, SINTO SAUDADE DOS AMIGOS, DAS BRIGAS QUE PARECIAM MAIS BRINCADEIRAS E DA SOLENIDADE QUE EXISTIA NO COMPARTILHAR AO OUTRO.
MAS NADA ME TRAZ MAIS LEMBRAÇAS E SAUDADES DO QUE O COLO DE MÃE QUE NUNCA ME FALTOU.
DA MINHA INFÂNCIA, SINTO SAUDADE DAS TARDES DIVERTIDAS EM QUE NÓS DUAS, MÃE E FILHA, BRINCÁVAMOS NA CAMA JUNTAS, FEITO DUAS CRIANÇAS, COMPANHEIRAS DA VIDA.
DA MINHA INFÂNCIA, SINTO SAUDADE DA ATENÇÃO QUE ME ERA DADA SEMPRE QUE ADOECIA.
FORAM TANTAS NOITES MAL DORMIDAS E DIAS DE INTENSA VIGÍLIA, MAS PARA O CORAÇÃO DE MÃE NÃO TEM TEMPO RUIM OU BOM, TEM SÓ UM FILHO, SUA CRIA.
DA MINHA INFÂNCIA TRAGO A LEMBRANÇA DE UMA MÃE PROTETORA, GUARDIÃ DA MINHA VIDA, QUE AINDA HOJE É CAPAZ DE ENTRAR NUMA BRIGA POR MIM.
SE QUISERES SABER DE QUE LUGAR ESTOU FALANDO E ONDE TUDO COMEÇA, VOLTE AO INÍCIO DE TUDO E SE PERMITA PASSEAR PELO QUINTAL, MAS NÃO O QUINTAL TERRENO, MORADA DAS FLORES, ÁRVORES E PÁSSAROS...E OLHA QUE ESTE JÁ É UM PARAISO! MAS O QUINTAL O QUAL ME REFIRO, É A MORADA DO AMOR DE DOIS SERES INSEPARÁVEIS E CUMPLICES PELO SANGUE, PELO CORPO E PELA DOR, POSTO QUE UM SOFRE PARA DAR A VIDA E O OUTRO, PARA CONSEGUIR NASCER.
E CHEGANDO LÁ, NÃO ESTRANHE SE TUDO COMEÇAR DE NOVO, POIS QUINTAL DE MÃE É ASSIM MESMO, LUGAR ONDE O AMOR NUNCA SE ACABA, MAS SEMPRE REINICIA.
Também me apaixonei pelo Quintal ! Que bom receber notícias suas, Juliana, há quanto tempo ! Achei perfeita a idéia de criar um espaço para falarmos das nossas "crias", tão queridas, tão amadas e aproximarmo-nos mais. Bendita seja esta tal de internet!
Criar filhos é uma tarefa árdua, dura mesmo, mais ... apaixonante. Como não amar os filhos ?! Depois da maternidade, os crimes horrendos que eventualmente vemos na televisão me chocam infinitamente mais.
Bom, mas vamos falar de coisas mais leves, né ? Educação, escola,convivência e muuuito amor. Se fosse possível postar uma trilha sonora para o QUINTAL DE MÃE, eu escolheria a música: Vilarejo, da Marisa Monte. Ouçam e vejam só como tem tudo haver com este espaço. Beijos.
Eu ainda não tenho minha cria, mas vou ter!!! Mas cria é só quando sai de dentro da gente? Não né...Ahhh estou acompanhando de perto e vivendo esta "maternidade" pelas beiradas acompanhando minhas amigas e seus filhos que me chamam de tia, e com os quais temos esta relação de maneira verdadeira e íntima...espero também poder compartilhar minhas vivências com estes quase filhos...
Oi July,
é disso mesmo que precisamos de quando quando em vez e sempre...
um quintal pra "jogar conversa fora", ou melhor, colecionar e plantar nosso entusiasmo de todo dia de mãe, de pai...
Andrea, que texto lindo!!!! perfeito pro nosso quintal.
Vakeska, saudade grande! Conta pra gente as histórias de Aline!!!
Céo, a gente cria quando participa e vive junto. :) Manda aí tuas experiências com esse montão de pivetinhos que tu adora, mima, e convive de pertinho.
mandem pra:julyromao@hotmail.com
Juliana,
Hj, relendo o que vc escreveu,acabei fazendo uma pequena reflexão sobre o fato das criança imitarem tanto o que nós adultos fazemos, daí a necessidade de estarmos sempre "no salto",(literalmente falando) pois somos verdadeiros espelhos p/ os pequenos.
Na minha experiência, é fundamental tb a escolha de uma boa escolinha/berçário p/ que os bons exemplos sejam extensivos por lá tb (e como isso é difícil!) afinal de contas, a criança convive com outras pessoas com educações tão diversas. Mas, nem tudo é espinho. O convívio com outros pequeninos estimula o socialização, a amizade, o coleguismo e o bom senso na hora de brincar e de dividir as coisas (como isto é importante p/ os filhos únicos !). Além disto, a orientação dada por professores e monitores qualificados e bem orientados faz muita diferença. Agora, essa sensibilidade e precocidade da criançada no processo de aprendizado, é realmente uma coisa miraculosa. A gente mal consegue acreditar que alguém tão pequenino (nascido ontem), já consegue ter umas tiradas de um verdadeiro ser humano experiente. Existe um livro chamado Criança Índigo cujo conteúdo, sobre um ptº de vista muito particular dos autores, obviamente, procura explicar essa "precocidade". Ao ler acabei chegando a conclusão que o que é pregado tem muito haver. Rapidamente, trata-se do seguinte: a geração de pessoas nascidas a partir dos anos 80 é constituída de almas extremamente puras mas com vasta experiência de vida (outras vidas !) É o que os autores chamam de almas antigas. A geração índigo veio para fazer a diferença, mudar o rumo da humanidade (p/melhor !)A nomenclatura "criança índigo" é relacionada à cor da aura desses seres, um tom azul índigo. Um pouco viajante né ?? Mas faz sentido. No livro são descritas as atitudes de crianças índigo e eu as identifico muito na minha filha.
Gata garota! É isso mesmo. Sofia, filha de Dudu, fala igual ao desenho animado... Figura!
Como diria Alceu: tu vem chegando pra brincar no meu quintal...
Saudade gigante!
beijos
caroles
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