5 de dezembro de 2008

O primeiro castigo

Coloquei João de castigo pela primeira vez na semana passada. Os pivetinhos vão virando gente e acham que são donos do mundo... é difícil. A motivação do castigo veio de ações rotineiras (não querer colocar a fralda, escovar os dentes, colocar a roupa, etc), que tomam gigantescas proporções quando você tem que sair para trabalhar cedinho e antes disso ainda deixá-lo na escola. É coisa de outro mundo. Juro que não sei como consigo.

A maratona da manhã começa às 6h15. Eu levanto, chamo Lucas (que vai de van) e fico na pressão pra ele não perder a condução. Nesse tempo João acorda, querendo toda a atenção do mundo, eu faço o lanche da escola (em 15 etapas pq a todo segundo rola um "mamãe, vem cá"), me arrumo e tento prepará-lo para a escola. Fralda, cueca, short, camiseta, sandália, cabelo, escovação de dente, sair de casa, do elevador (uma eternidade!!), entrar no carro (minha nossa), descer dele e entrar na sala de aula (outra eternidade). E o relógio... tic tac, tic, tac. Eu dou aula às 8h (em sala!!), então já viu, né? tudo tem que acontecer uns 15 minutos antes disso.

Enfim, como ele tá crescendo, já presta atenção em tudo e já não aceita bem fazer algo que não esteja com vontade. Nem o 1, 2, 3 está sendo eficaz como antes... aí teve que ser no castigo. Ou isso ou atrasos diários e um garoto de quase 2 anos fazendo somente o que quer... Não vai escovar os dentes não? Vou contar... Então, João, você vai ficar de castigo. E tome-lhe choro. Choro e apelação. O danado já sabe o que é isso e sempre que eu falo duro ele vem com um "mamãe, quero colo", pra tentar me desarmar! hahahahaha Mas eu sou firme (às vezes até demais). Chorou, tentou sair, gritou, fez de tudo. Não cedi. O fruto veio depois, quando ele me deixou escovar os dentes bem direitinho. É claro que precisa haver dose no castigo, na razão e no modo, mas se bem equilibrado, dá um retorno incrível, ainda que nem sempre na primeira vez.

Eu tenho um perfil de doação total, mas de muita exigência. Acho a disciplina fundamental pra orientá-los sobre o limite (falo de Lucas e de João!), dando sempre a oportunidade da escolha, esse que é assunto pra outro post. Mas, pra finalizar a conversa, meu grande pavor são as crianças-monstrinho que a gente vê por aí, mandando na mãe, no pai e no mundo inteiro. Vamos amar, mas manter a disciplina e ensinar que tudo tem seu tempo e que obedecer à mãe é a regra de ouro da vida.

2 comentários:

Anônimo disse...

Juliana,

Compartilho integralmente teu ponto de vista no que diz respeito à disciplina. É ela quem dá o norte, segura o tranco mesmo na relação mãe e filho. Acho que devemos mostrar "quem é que está no comando" desde cedo. Obviamente, sem a perder a ternura. Tenho notado que a medida que Aline cresce, a ânsia de desafiar a mim e ao pai aumenta também. Não é raro eu dar uma ordem e Aline responder com um sonoro "não vou", "não quero" ... ah, amiga !!! Aí vem o famoso castigo. O 1,2,3 há tempos não surte mais efeito. E dependendo do mal feito, com o coração em pedaços, dou uma palmada (acho que dói mais em mim do que nela). Não estou aqui pregando que a punição é essencial, mas muitas vezes ela é justa, dependendo do contexto.
Também por muito tempo penei com a ditadura do horário pois como vc era eu quem a deixava na escola onde ela ficava em período integral. Me livrei dessa situação quando um anjo chamado Socorro, minha funcionária, pousou nas nossas vidas. Hoje em dia, como Aline estuda à tarde, saio de casa e muitas vezes eu a deixou dormindo (ela ama dormir até mais tarde). Mas quando acorda, Socorro já está orientada a seguir uma rotina com Aline para que na hora de ir para escola à tarde ela tenha brincado, almoçado, tomado banho e tirado a soneca que ela tanto ama.

Juliana Romão disse...

Isso... e você tocou num ponto que é fundamental e que vale escrever sobre ele: a pessoa que cuida dos nosso filhotes. Esse é um problema dos maiores!!!!