Um episódio que durou no máximo 10 minutos me fez refletir sobre toda a vida. Era sábado e eu Desci com João e o velocípede dele (aqui todos chamam velotrol, mas pra mim é velocípede) na intenção de ensiná-lo a colocar o pé no pedal. Ok. Mal descemos do prédio e passou uma família (um casal com dois filhos, um de colo e uma menina de uns 10 anos) pobre. Não miserával, dava pra perceber um cuidado mínimo, mas certamente uma família que passa fome, dorme mal e não sabe bem como vai ser o dia seguinte.
Enfim, a mãe me parou e não pediu comida, roupa ou dinheiro(me emociono até hoje). Pediu um brinquedo. "Será que a senhora não tem um brinquedo pra dar pro meu filho"? perguntou, envergonhada. O homem, acredito que o pai, seguia na frente, talvez para não presenciar a humilhante cena de ter que pedir aos outros para dar aos seus. Fazia sinais corporais de quem "ia embora", enquanto a mãe me olhava com um olhar que ainda conseguia ser doce e que pedia "pressa". Pensei no montão de brinquedos que João e Lucas têm, no choro de João quando eu dissesse que subiríamos (ele havia me esperado 40 minutos pra descer e não "entenderia" que subiríamos rápido) e na situação que exigia rapidez. Subi com João voando, catei uns briquedos que um bebê fosse brincar, um ursinho pra garotinha, e desci. Tudo muito rápido.
Entreguei os brinquedos a ela, coloquei um chocalho na mão do bebezinho e o urso na da menina. O sorriso da mãe me levou às lágrimas. A felicidade dela era ver a felicidade dos filhos. Aí dei um beijo no pivetinho e perguntei o nome dele. "João", respondeu. Eles se foram e eu continuei a brincadeira com meu galego, mas as lágrimas não cessavam. Era inevitável um comparativo mínimo. Meu filho João tem um quarto só pra ele, um berço, desenhos na parede, brinquedos, roupa, cobertor, um plano de saúde CASO fique doente, brinquedos de sobra, suco de fruta feito na hora, avós, tios e pais que fazem tudo por ele... O outro João talvez tome banho dia sim dia não, usa roupas sujas e rasgadas, vive (ainda sem saber) com poucas expectativas de ter melhor condição do que os pais, e ganha brinquedo doado, quando consegue.
Chorei muito e nunca me esqueci daquilo. Nem da disparidade entre as vidas, nem do amor daquela mãe guerreira. É isso... infelizmente é uma história triste que trago nessa semana de natal, mas idéia é apenas a de trazer pro quintal uma oportunidade a mais para nos olharmos com outros olhos, VENDO a vida maravilhosa que temos (e deixando de reclamar do que é bobagem) e tormarmos uma iniciativa mais afirmativa de contribuição para um mundo melhor. Em outro post falo das minhas idéias a respeito.
Grande beijo e um fantástico natal para todos!!!
22 de dezembro de 2008
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3 comentários:
Imagino a emoção que vc sentiu Jú, pois me emocionei só de ler o seu relato.
Eu sempre fui coração mole e sempre fiquei sensibilizada com as pessoas carentes, mas depois de ser mãe, não posso ver as crianças na rua que fico pensando em como elas vivem, das coisas que precisam e não têm, da falta de carinho, de apoio, de vestimenta, de estudo, de educação, de estrutura familiar, enfim, de tudo.
Como seria bom se todas as crianças pudessem crescer com as mesmas oportunidades que a minha filha vai ter.
Desde então, também, comecei a compreender melhor a atitude de muitas pessoas que adotam várias crianças mesmo sem ter muitas condições financeiras. É o amor maternal falando alto e que faz milagres acontecerem e aí todas nós aqui podemos relatar milhares deles com certeza.
Muitas vezes penso em adotar uma criança. Quem sabe um dia, né?! Que Deus abençoe e cuide de todos esses pequeninos.
Feliz Natal para todas
Ah, eu, Alessandra Cerqueira, que fiz o comentário acima e acabei assinando anonimamente.
Oi July, passei aqui no quintal pra desejar as boas novas do ano. Sua história de Natal combina muito bem com esta semana de Reis, por isso não me sinto atrasada na leitura. O comentário vai para todo João, Lucas, maria, José, Pedro, Davi, Íris, Caio...todas crianças com nomes bíblicos ou não. É importante passarmos a eles a riqueza de ser simples, solidário e sensível nos inúmeros momentos de nossa realidade. Não precisamos esquecer nossos sonhos e fantasias...mas é bom saber que podemos tornar reais tantos outros.
Feliz 2009
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