É muito difícil para os filhos da gente entenderem que não são o centro do mundo e que não vivemos PARA eles. Em relação à figura do pai, esse aprendizado - que sempre vem na marra, acontece mais cedo, porque a licença paternidade é mínima então os pivetinhos aprendem a ver "menos" o pai. Sentem a ausência, só que estão mais conformados.
Com a mãe esse entendimento (ou o começo dele) é mais doído, e é preciso dizer que para ambas as partes. O filho sofre quando a mãe se afasta e a mãe sofre porque o filho sofre. Uma bola de neve que precisa ser quebrada com coragem. Sim, é preciso ter coragem para sair e resolver coisas, retomar a vida, o trabalho, as relações que ficam em stand by. Mas é tudo tão doloroso, né? deixar o pivetinho se esgoelando, urrando seu nome, ou deixá-lo na escola vendo que ele acha que está sendo abandonado (esse é assunto pra outro post), mas tudo faz parte de um processo longo de crescimento, deles e nosso. Um processo que inclui angústias (até voltar para casa), saídas escondidas (que sempre evitei, mas fiz quando foi necessário), choros e um inevitável pensamento... "meu deus, como eu vou resolver isso?!"
Os frutos demoram, mas eles aparecem. Sofri com esse tormento de sair de casa por um tempão até que me dei conta de que isso praticamente não é mais um problema. Quando saio explico tudo, digo com quem ele vai ficar e sinto uma alegria inigualável porque ele me manda beijos, chaus alegres e ainda diz: "mamãe trabalá ou mamãe saí".
João aprendeu, NA MARRA, que eu vou sair sim (chore ele ou não), mas volto; que o trabalho demora, mas não é para sempre; que eu o amo dentro e fora de casa, e que o ENQUANTO ISSO pode ser bastante divertido. Um aprendizado que termina por ser libertador, porque transmite a segurança de sentir falta (eu sei que eles não estão aqui!!!), e a tranquilidade de se manter feliz (eles voltarão!!).
16 de dezembro de 2008
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