23 de dezembro de 2008

O que fazer nas férias!!!

Tempo de férias é tempo de diversão, mas às vezes é preciso saber COMO se divertir! Vivo inventando brincadeira com João e quando acabamos ele pergunta: "e agora?" risos

A página da revista Crescer na internet traz dicas bem interessantes sobre jogos e brincadeiras, dentro e fora de casa, de acordo com a idade (essa é a grande jogada!!). Muitas são conhecidas mas é legal ver a lista porque simplesmente esquecemos delas na hora de escolher a próxima diversão.
Pena que só vai até 8 anos!!! Lucas tem 12 e as brincadeiras dele agora são eletrônicas e com os amigos. :)
Até!



22 de dezembro de 2008

Um brinquedo para João, outro João

Um episódio que durou no máximo 10 minutos me fez refletir sobre toda a vida. Era sábado e eu Desci com João e o velocípede dele (aqui todos chamam velotrol, mas pra mim é velocípede) na intenção de ensiná-lo a colocar o pé no pedal. Ok. Mal descemos do prédio e passou uma família (um casal com dois filhos, um de colo e uma menina de uns 10 anos) pobre. Não miserával, dava pra perceber um cuidado mínimo, mas certamente uma família que passa fome, dorme mal e não sabe bem como vai ser o dia seguinte.

Enfim, a mãe me parou e não pediu comida, roupa ou dinheiro(me emociono até hoje). Pediu um brinquedo. "Será que a senhora não tem um brinquedo pra dar pro meu filho"? perguntou, envergonhada. O homem, acredito que o pai, seguia na frente, talvez para não presenciar a humilhante cena de ter que pedir aos outros para dar aos seus. Fazia sinais corporais de quem "ia embora", enquanto a mãe me olhava com um olhar que ainda conseguia ser doce e que pedia "pressa". Pensei no montão de brinquedos que João e Lucas têm, no choro de João quando eu dissesse que subiríamos (ele havia me esperado 40 minutos pra descer e não "entenderia" que subiríamos rápido) e na situação que exigia rapidez. Subi com João voando, catei uns briquedos que um bebê fosse brincar, um ursinho pra garotinha, e desci. Tudo muito rápido.

Entreguei os brinquedos a ela, coloquei um chocalho na mão do bebezinho e o urso na da menina. O sorriso da mãe me levou às lágrimas. A felicidade dela era ver a felicidade dos filhos. Aí dei um beijo no pivetinho e perguntei o nome dele. "João", respondeu. Eles se foram e eu continuei a brincadeira com meu galego, mas as lágrimas não cessavam. Era inevitável um comparativo mínimo. Meu filho João tem um quarto só pra ele, um berço, desenhos na parede, brinquedos, roupa, cobertor, um plano de saúde CASO fique doente, brinquedos de sobra, suco de fruta feito na hora, avós, tios e pais que fazem tudo por ele... O outro João talvez tome banho dia sim dia não, usa roupas sujas e rasgadas, vive (ainda sem saber) com poucas expectativas de ter melhor condição do que os pais, e ganha brinquedo doado, quando consegue.

Chorei muito e nunca me esqueci daquilo. Nem da disparidade entre as vidas, nem do amor daquela mãe guerreira. É isso... infelizmente é uma história triste que trago nessa semana de natal, mas idéia é apenas a de trazer pro quintal uma oportunidade a mais para nos olharmos com outros olhos, VENDO a vida maravilhosa que temos (e deixando de reclamar do que é bobagem) e tormarmos uma iniciativa mais afirmativa de contribuição para um mundo melhor. Em outro post falo das minhas idéias a respeito.

Grande beijo e um fantástico natal para todos!!!

16 de dezembro de 2008

Conhecimento é liberdade

É muito difícil para os filhos da gente entenderem que não são o centro do mundo e que não vivemos PARA eles. Em relação à figura do pai, esse aprendizado - que sempre vem na marra, acontece mais cedo, porque a licença paternidade é mínima então os pivetinhos aprendem a ver "menos" o pai. Sentem a ausência, só que estão mais conformados.

Com a mãe esse entendimento (ou o começo dele) é mais doído, e é preciso dizer que para ambas as partes. O filho sofre quando a mãe se afasta e a mãe sofre porque o filho sofre. Uma bola de neve que precisa ser quebrada com coragem. Sim, é preciso ter coragem para sair e resolver coisas, retomar a vida, o trabalho, as relações que ficam em stand by. Mas é tudo tão doloroso, ? deixar o pivetinho se esgoelando, urrando seu nome, ou deixá-lo na escola vendo que ele acha que está sendo abandonado (esse é assunto pra outro post), mas tudo faz parte de um processo longo de crescimento, deles e nosso. Um processo que inclui angústias (até voltar para casa), saídas escondidas (que sempre evitei, mas fiz quando foi necessário), choros e um inevitável pensamento... "meu deus, como eu vou resolver isso?!"

Os frutos demoram, mas eles aparecem. Sofri com esse tormento de sair de casa por um tempão até que me dei conta de que isso praticamente não é mais um problema. Quando saio explico tudo, digo com quem ele vai ficar e sinto uma alegria inigualável porque ele me manda beijos, chaus alegres e ainda diz: "mamãe trabalá ou mamãe saí".

João aprendeu, NA MARRA, que eu vou sair sim (chore ele ou não), mas volto; que o trabalho demora, mas não é para sempre; que eu o amo dentro e fora de casa, e que o ENQUANTO ISSO pode ser bastante divertido. Um aprendizado que termina por ser libertador, porque transmite a segurança de sentir falta (eu sei que eles não estão aqui!!!), e a tranquilidade de se manter feliz (eles voltarão!!).

11 de dezembro de 2008

João ficou com quem?

Recebi uma mensagem eletrônica sobre um passeio de catamarã (barco tipo lancha, só que maior e tomado de cadeiras) pelo principal rio que corta Recife, o Capibaribe, para apreciar além da paisagem as luzes de natal. Lindo.

Imediatamente encaminhei a sugestão a algumas pessoas e minha prima Ceozinho me perguntou se o passeio era legal. DEMAIS!!! Mas no momento da resposta tentei lembrar das duas vezes em que fiz o percurso.... vamos lá, abrindo os arquivos. Ok. A última foi no ano passado, eu, Laércio, meus pais e João (Lucas ficou na casa da mãe). A penúltima...... deixa eu ver..... Ah! em 2006, eu e mamãe. Peraí? se estávamos as duas, João ficou com quem? pensei, pensei, achando estranho até que lembrei. Eu estava grávida no passeio! :)

Achei engraçadíssimo pensar nesse hábito inevitável de planejamento que existe depois dos filhos. Se vamos sair à noite, Simone vai colocar João pra domir e Lucas vai pra casa de um amigo. Ou eu coloco João pra dormir, saimos, e Lucas fica de olho nele. Vamos viajar? então temos que pensar a dormida, o tamanho da mala, qual tralha realmente vai ser necessária. :) Todo um processo, mas que a gente vai aprendendo (e errando) a administrar pra que cada um consiga ser feliz sozinho e junto.


5 de dezembro de 2008

O primeiro castigo

Coloquei João de castigo pela primeira vez na semana passada. Os pivetinhos vão virando gente e acham que são donos do mundo... é difícil. A motivação do castigo veio de ações rotineiras (não querer colocar a fralda, escovar os dentes, colocar a roupa, etc), que tomam gigantescas proporções quando você tem que sair para trabalhar cedinho e antes disso ainda deixá-lo na escola. É coisa de outro mundo. Juro que não sei como consigo.

A maratona da manhã começa às 6h15. Eu levanto, chamo Lucas (que vai de van) e fico na pressão pra ele não perder a condução. Nesse tempo João acorda, querendo toda a atenção do mundo, eu faço o lanche da escola (em 15 etapas pq a todo segundo rola um "mamãe, vem cá"), me arrumo e tento prepará-lo para a escola. Fralda, cueca, short, camiseta, sandália, cabelo, escovação de dente, sair de casa, do elevador (uma eternidade!!), entrar no carro (minha nossa), descer dele e entrar na sala de aula (outra eternidade). E o relógio... tic tac, tic, tac. Eu dou aula às 8h (em sala!!), então já viu, né? tudo tem que acontecer uns 15 minutos antes disso.

Enfim, como ele tá crescendo, já presta atenção em tudo e já não aceita bem fazer algo que não esteja com vontade. Nem o 1, 2, 3 está sendo eficaz como antes... aí teve que ser no castigo. Ou isso ou atrasos diários e um garoto de quase 2 anos fazendo somente o que quer... Não vai escovar os dentes não? Vou contar... Então, João, você vai ficar de castigo. E tome-lhe choro. Choro e apelação. O danado já sabe o que é isso e sempre que eu falo duro ele vem com um "mamãe, quero colo", pra tentar me desarmar! hahahahaha Mas eu sou firme (às vezes até demais). Chorou, tentou sair, gritou, fez de tudo. Não cedi. O fruto veio depois, quando ele me deixou escovar os dentes bem direitinho. É claro que precisa haver dose no castigo, na razão e no modo, mas se bem equilibrado, dá um retorno incrível, ainda que nem sempre na primeira vez.

Eu tenho um perfil de doação total, mas de muita exigência. Acho a disciplina fundamental pra orientá-los sobre o limite (falo de Lucas e de João!), dando sempre a oportunidade da escolha, esse que é assunto pra outro post. Mas, pra finalizar a conversa, meu grande pavor são as crianças-monstrinho que a gente vê por aí, mandando na mãe, no pai e no mundo inteiro. Vamos amar, mas manter a disciplina e ensinar que tudo tem seu tempo e que obedecer à mãe é a regra de ouro da vida.

1 de dezembro de 2008

Copiando se aprende

Por Juliana Romão

A overdose de convivência com os filhos faz com que a gente aprenda um pouco sobre o ser humano, o processo de desenvolvimento da inteligência, o comportamento social, etc, mesmo sem formação em sociologia ou psicologia.

Há uns três meses (pode ser pouco mais ou menos... sou péssima em tudo o que se refere à tempo...), João deu um salto em relação às cores e aprendeu a diferenciar umas das outras, com confusões eventuais, obviamente. A tara inicial foi pelo vermelho, porque é a cor do meu carro. Todo carro avermelhado que passava ele dizia "mamãe carro", bem no estilo índio de falar.

Aos poucos, a visão vai alcançando mais detalhes e ele passou a comentar somente quando o carro tinha o mesmo modelo (um avanço impressionante) e não mais quando havia apenas aproximação na cor. Sempre que isso acontecia minha resposta era "é, é parecido, né?". Obviamente ele não tinha a menor idéia do que era "parecido", mas como me viu falando várias vezes, começou a usar a palavra pra tudo, doido por incluí-la no seu vocabulário (e não é assim que fazemos?).

Na maioria das situações o emprego estava errado, mas foi muito interessante ver como uma palavra entra no nosso mundo. A gente só aprende quando consegue visualizá-la de algum modo. Pois bem, aos poucos, observando mais atentamente (como esses pivetes observam!!), e copiando e copiando, ele foi ajustando a idéia até entender que parecido são as coisas ou pessoas que têm semelhança. Hoje, João usa o termo direitinho, inclusive em situações mais complexas, como para comparar uma pipa grande pregada na parede do quarto com outra bem pequena (com o mesmo formato e cores), colada numa caixa que fica no trocador. Sentado, ontem, ele fez um sinal mostrando as duas e disse: "mamãe, parecido". Fiquei besta. :)

É copiando que se aprende a viver no mundo. Daí tiramos nossas referências. Precisamos ver os outros para entender as coisas, nos situarmos socialmente. Daí a importância gigantesca (e vejo isso todos os dias) do nosso exemplo (a pivetada repete tudo o que a gente diz e fala!!), da convivência com outras crianças, da oportunidade de ver o mundo por outros olhos, sob aspectos diferenciados. Quando a criança vê, convive com outras, se mistura, ela copia tudo (e é copiada) e, nesse processo, se desenvolve e adapta o aprendizado ao seu mundo. Sai do abstrato para o real, numa mistura de socialização, inteligência e formação de personalidade.