
Prometo que na semana que vem tem texto novo! Pra não adiar mais a atualização trago um texto que escrevi pro blog de uma amiga quando João tinha pouco maias que um ano e meio.
caixa de lápis
Quando nossos filhos nascem, da barriga ou do coração, infelizmente não recebemos uma bula indicando as medidas adequadas de afeto, segurança, exigência, etc. Definir os limites das nossas ações está entre as questões mais complexas da maternidade. Excessos, inclusive de amor, tendem a causar mais danos que benefícios....
Tento me basear (quando viável) na metáfora do violão, usada por Buda. Ele dizia que as cordas desse instrumento poderiam se partir com um leve toque se estivessem esticadas demais; Se frouxas em demasia, não produziriam som. É exatamente o ponto do meio, do equilíbrio entre os extremos, que produz a vibração ideal das cordas quando tocada pelos dedos.
Dia desses tentei ensinar a João, de 1.8 meses, a guardar os lápis depois de desenhar. Ao final da brincadeira eu mostrava a ele o que fazer e como tudo poderia ser bem divertido. Não fui muito feliz nas primeiras tentativas, mas mantive a proposta. Eu dizia a mim mesma: se ele sabe onde estão os lápis e como despejá-los no chão, vai saber guardá-los. Criei, então, uma nova regra: encerrados os desenhos, somente passaríamos a outra brincadeira DEPOIS de guardar os lápis. Os choros se aproximavam de escândalos, mas fui firme e não retrocedi.
João ficou doente nessa época e na consulta ao pediatra, enquanto ele chorava com todo aquele mexe aqui, toca ali, eu tentei acalmá-lo: “olha, João, um peixe na parede!!”. O médico (linha dura) me disse para não fazer aquilo, pois demonstrava pra João que eu estava ansiosa e assim ele chorava mais e mais. Meio incrédula (e desconcertada) parei de falar, e, aos poucos, as lágrimas do galego cessaram. Fiquei impressionada!
Enquanto ele prescrevia os medicamentos eu inventei de mencionei a questão dos lápis, do hábito que eu estava lutando para implantar, etc. Ele comentou que achava uma ação inadequada para a idade. “É muito elaborado para quem não tem nem 2 anos”, disse. Foi o que bastou para eu sair da consulta me sentindo a reencarnação de Hitler. Talvez eu realmente tivesse ultrapassado a linha de Buda, e essa era a explicação para os altos volumes de choro de João com novo meu “método”. Para não mudar radicalmente de atitude resolvi que não abandonaria a idéia nos dias seguintes, mas pegaria leve no processo. Se ele não mostrasse avanços, em vez de insistir, eu deixaria o aprendizado para uma idade mais avançada (e adequada).
Dia seguinte, enquanto João fazia seus desenhos fui organizar umas coisas no quarto. Quando voltei, antes até de pensar em mencionar a palavra guardar, me deparei com aquele pequenino galego catando sozinho cada pedaço de lápis de cera e colocando lindamente dentro da caixinha. Os resultados vieram antes mesmo de eu “pegar leve”. Fiz uma festa, dei os parabéns e senti uma felicidade sem tamanho. Ganhei o dia, a semana, o mês. Atualmente, ele mesmo toma a iniciativa e reúne toda a confusão, sem reclamar.
Essa vivência me trouxe três aprendizados. O primeiro é que os hábitos não são criados de um dia para outro....é preciso obstinação e uma grande dose de segurança quanto ao que queremos e entendemos como correto. O segundo é que temos sempre que TRIAR as orientações médicas (elas são maravilhosas, mas têm sempre uma receita pronta, “tamanho único”) e o terceiro é que precisamos reavaliar constantemente nossas metas/ações (cada criança é diferente!) e ter o bom senso para manter o pé no acelerador, reduzir a velocidade ou até deixar o carro na garagem, nem que seja para dirigir novamente na semana que vem.
Quando nossos filhos nascem, da barriga ou do coração, infelizmente não recebemos uma bula indicando as medidas adequadas de afeto, segurança, exigência, etc. Definir os limites das nossas ações está entre as questões mais complexas da maternidade. Excessos, inclusive de amor, tendem a causar mais danos que benefícios....
Tento me basear (quando viável) na metáfora do violão, usada por Buda. Ele dizia que as cordas desse instrumento poderiam se partir com um leve toque se estivessem esticadas demais; Se frouxas em demasia, não produziriam som. É exatamente o ponto do meio, do equilíbrio entre os extremos, que produz a vibração ideal das cordas quando tocada pelos dedos.
Dia desses tentei ensinar a João, de 1.8 meses, a guardar os lápis depois de desenhar. Ao final da brincadeira eu mostrava a ele o que fazer e como tudo poderia ser bem divertido. Não fui muito feliz nas primeiras tentativas, mas mantive a proposta. Eu dizia a mim mesma: se ele sabe onde estão os lápis e como despejá-los no chão, vai saber guardá-los. Criei, então, uma nova regra: encerrados os desenhos, somente passaríamos a outra brincadeira DEPOIS de guardar os lápis. Os choros se aproximavam de escândalos, mas fui firme e não retrocedi.
João ficou doente nessa época e na consulta ao pediatra, enquanto ele chorava com todo aquele mexe aqui, toca ali, eu tentei acalmá-lo: “olha, João, um peixe na parede!!”. O médico (linha dura) me disse para não fazer aquilo, pois demonstrava pra João que eu estava ansiosa e assim ele chorava mais e mais. Meio incrédula (e desconcertada) parei de falar, e, aos poucos, as lágrimas do galego cessaram. Fiquei impressionada!
Enquanto ele prescrevia os medicamentos eu inventei de mencionei a questão dos lápis, do hábito que eu estava lutando para implantar, etc. Ele comentou que achava uma ação inadequada para a idade. “É muito elaborado para quem não tem nem 2 anos”, disse. Foi o que bastou para eu sair da consulta me sentindo a reencarnação de Hitler. Talvez eu realmente tivesse ultrapassado a linha de Buda, e essa era a explicação para os altos volumes de choro de João com novo meu “método”. Para não mudar radicalmente de atitude resolvi que não abandonaria a idéia nos dias seguintes, mas pegaria leve no processo. Se ele não mostrasse avanços, em vez de insistir, eu deixaria o aprendizado para uma idade mais avançada (e adequada).
Dia seguinte, enquanto João fazia seus desenhos fui organizar umas coisas no quarto. Quando voltei, antes até de pensar em mencionar a palavra guardar, me deparei com aquele pequenino galego catando sozinho cada pedaço de lápis de cera e colocando lindamente dentro da caixinha. Os resultados vieram antes mesmo de eu “pegar leve”. Fiz uma festa, dei os parabéns e senti uma felicidade sem tamanho. Ganhei o dia, a semana, o mês. Atualmente, ele mesmo toma a iniciativa e reúne toda a confusão, sem reclamar.
Essa vivência me trouxe três aprendizados. O primeiro é que os hábitos não são criados de um dia para outro....é preciso obstinação e uma grande dose de segurança quanto ao que queremos e entendemos como correto. O segundo é que temos sempre que TRIAR as orientações médicas (elas são maravilhosas, mas têm sempre uma receita pronta, “tamanho único”) e o terceiro é que precisamos reavaliar constantemente nossas metas/ações (cada criança é diferente!) e ter o bom senso para manter o pé no acelerador, reduzir a velocidade ou até deixar o carro na garagem, nem que seja para dirigir novamente na semana que vem.
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