26 de novembro de 2009

Parto antes do parto

Depois de decidir que João e Bernardo ficariam no mesmo quarto comecei a arrumação. Um verdadeiro parto antes do parto.

Comprei a cama de João, o colchão, o protetor do colchão, desarrumei o berço (pra ele não ter vontade de dormir lá), mudei a cômoda de lugar, arrastei o puf, etc. Todos os dias eu sentava ali e ficava analisando as possibilidades de arrumação. Optei pelo equilíbrio: berço de um lado, cama do outro, cômoda no meio, encaixe do resto. E mexe aqui, arrasta, esconde ali. "Nossa, esse quarto vai ficar tão apertado!" É isso mesmo, calor humano é sempre bom! hahahaha

Uma semana depois sentei pra olhar e o meu comichão voltou. (tudo isso meio escondido de João, nos poucos horários de tempo "livre"). Levantei meio sem pensar e mudei tudo novamente (Isso, mesmo, com buxo e tudo). OK. "Não ficou tão legal... só que está mais funcional". Melhor. Assim, quando eu trocar Bernardo, consigo alcançar a fralda e tudo o que será necessário. Muito bem.

Dia seguinte, na hora da dormida.... Minha nossa, a cômoda agora tá tapando tomada! E o ventilador de João ficou do outro lado do quarto. Preciso de uma nova tomada, não dá pra deixar essa fiarada aqui no meio, é acidente na certa! Então vamos organizar isso. Ligo pra Damião (um faz tudo que conheço), pergunto se ele faz essa "cirurgia" e anoto as recomendações de compra.

Na loja, compro tudo e mais um "dimer", aquele aparelhinho que permite graduar a luminosidade do quarto. Beleza. Damião chega... "mas não é essa tomada, é outra"... Jesus amado. Combino dele vir outro dia e lá vou eu em nova peregrinação nas lojas elétricas, passando vergonha ao tentar falar de coisas que não sei.

- Como é o nome daquela tomada que fica assim na parede?
- o ZZZZHAO ou xywofog?
- Não faz pergunta difícil, moço!

Ok, nova compra.... "Se Damião disser que está errado é um homem morto".

Vamos em frente. Depois de um trabalhão ele colocou a nova tomada do outro lado. Quase engoli os brincos de felicidade. Fiz os testes. Ventilador funcionando, som ligando. YES!! venci mais uma.

-A senhora quer que eu também coloque o dimer no interruptor do quarto?
- Isso, coloca logo porque eu já pulo essa etapa também.

Eu não devia ter dito aquilo, acho que a felicidade anterior me embriagou. Ele mexeu, cavucou, tirou e botou. - Esse dimer tá quebrado..... Ou será a lâmpada? a pergunta foi pra mim, mas ele fingiu que era pra ele mesmo. Depois veio uma de verdade que quase faz Bernardo nascer...

- Esse armário sai?
- Ave maria, Damião. Sai não, por que?
- O fio quebrou atrás dele. Pra consertar.... só mexendo no móvel. Vai ter que chamar um marceneiro.
- Ãh? Damião, você tem noção da trabalheira que isso vai dar?

Cenas dos próximos capítulos: estou à procura de um marceneiro e até lá não teremos luz no quarto. :) Sim, tem mais sobre a cadeira de amamentação... mas isso fica pra outro post.

Beijo

Juliana (cansada da arrumação mas feliz DEMAIS com a chegada - agora breve - de um novo filhote!)

20 de novembro de 2009

Tempo presente

Disponibilizo aqui o ótimo artigo de Rosely Sayão, publicado ontem no caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo, que nos faz refletir sobre a nossa participação no mundo consumista dos pivetes. Especialmente agora com a chegada no natal.


TEMPO PRESENE

Já começou a temporada de consumo do fim de ano. Os meios de comunicação informam as novidades em eletrodomésticos e eletrônicos que serão transformados em objetos de desejo e anunciam ofertas "imperdíveis" e prazos de pagamento tentadores para uma diversidade enorme de produtos.Nesse período, quase todo mundo passa a pensar no que gostaria de ganhar ou comprar para finalizar o ano com satisfação.

A frase "eu mereço" passou a ser a máxima que nos guia nessa onda de comprar, ter, querer ter. Incrível como o merecimento passou a ser usado para justificar a posse de bens, não é verdade?As crianças costumam ser as grandes vítimas do consumo exagerado. Não são elas que querem ter mais e mais, já que os adultos entraram nessa parada pra valer, mas são elas que estão mais sujeitas ao imperativo do ter, já que ainda não conseguem avaliar criticamente as demandas nelas introduzidas.Perguntei a algumas delas, com idades entre seis e dez anos, qual o último presente que ganharam. A maioria não soube responder. Algumas citaram vários brinquedos e eletrônicos, outras se esforçaram para lembrar, muitas ficaram na dúvida ou não se importaram com a resposta a dar porque qualquer uma valia.

Esse fato me fez pensar que a noção original de presente perdeu totalmente o valor para grande parte das crianças de classe média. Elas ganham tantas coisas sem motivo que passaram a considerar o presente algo trivial. Quase uma obrigação dos adultos para com elas.O que não pensamos ao dar tantos "presentes" às crianças é que, assim, lhes negamos o objetivo primordial do mimo, que é provocar a surpresa, a expectativa e a alegria de recebê-los.

Perguntei às mesmas crianças o que elas já tinham e o que ainda não tinham em matéria de brinquedos e aparelhos -seus novos objetos lúdicos.Muito mais fácil para elas foi listar o que queriam ter do que nomear o que já tinham e que gostavam de usar. Mais uma vez, é possível interpretar que a quantidade enorme de objetos que ganham não permite que elas desfrutem do uso deles.

Não é simples, para os pais, remar contra a maré do consumismo dos filhos, já que estes sabem argumentar quando querem algo: basta dizer que quase todos os colegas já têm o que pedem. E os pais, sem perceber que se trata de pura competição, atendem aos pedidos dos filhos porque creem que isso coloca seus rebentos dentro do grupo. Não é verdade.Para os pais que querem realizar o esforço, é bom saber que, pelo mundo todo, há movimentos sociais organizados contra a publicidade infantil para refrear o consumismo na infância, já que está comprovado que isso não faz bem ao desenvolvimento das crianças.

Por isso, caro leitor, antes de sair para comprar presentes para os filhos nesse fim de ano, lembre-se que seu tempo usado no convívio com eles é mais precioso que o dinheiro gasto para comprar coisas que eles pensam querer.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)

12 de novembro de 2009

Pequenas frustrações, grandes aprendizados

Entrei no oitavo mês da gestação de Bernardo e agora estamos todos em contagem regressiva. Além da organização prática (arrumar, comprar) é necessário preparar o espírito pra nova vida que virá. E a minha será assim: um pivete com 13 anos que não quer estar comigo, outro com 3 que mal me deixa ir ao banheiro, e um que não vai saber nem arrotar sozinho! É mole ou quer mais? :)

O espaço físico reduz e tudo precisa ser minimamente modificado. Arrumação na área de serviço, na cozinha, nos quartos. Os armários de Lucas, por exemplo, receberão coisas de João, que agora vão dividir espaço com as cossitas de Bernardo. Tem também os ajustes psicológicos... toda uma tentativa de minimizar o impacto inicial da grande mudança na vida dos meninos, especialmente de João, por motivos óbvios.

Como em toda casa o novo irmão chega desorganizando geral pra depois encaixar tudo, de um jeito que todos logo terão a sensação de que o quinteto não poderia jamais ser quarteto ou trio, faltaria um pedaço. Assim, é nas entrelinhas da arrumação e dos comentários que a gente prepara a chegada de um e mostra pros outros que eles continuam sendo muuuito importantes.

Lucas vem ganhando coisas novas no quarto, planos pro futuro. De todo jeito, além da idade ajudar, ele já é experiente no assunto, esse é quarto irmão!!. No caso de João, o assunto Bernardo é tratado sem overdose. A gente quer evitar qualquer sofrimento ou sensação de perda que o pivete venha a ter (e vai ter), mas a verdade verdadeira é que crescer dói sim e é sofrido mesmo. Mas às vezes nós é que precisamos deixar que eles cresçam...Enfim, falo disso porque de um fato pequeno aprendi uma grande lição dia desses.

João entra na escola antes do horário (fica num plantão) porque eu tenho que chegar ao trabalho às 8h. Então ele sempre fica lá esperando o “toque” junto com outras crianças, cujos pais também têm compromissos ou alguma razão pra deixá-los ali antes da hora da aula. Como no meu caso é diário (não gosto, mas não há jeito!) faço um esforço sem tamanho pra buscá-lo dentro do horário, evitando que ele vá ao segundo plantão, que tem as mesmas características, com o agravante de que os pivetes assistem a “felicidade” dos amigos cujos pais aparecem "em tempo". Sempre tentei chegar na hora, mas, por conta de Bernardo e dessa coisa de querer evitar que ele se sinta abandonado e tal tenho movido céus e terras pra cumprir a ditadura do relógio.

Dia desses ele entrou no plantão falou o de sempre: “você me busca quando tocar a música?” e eu disse que sim e ele ficou todo contente. Acontece que eu não consegui chegar na hora.... fiquei presa no trabalho e como o dia foi de chuva o trânsito estava infernal as badaladas do meio dia tocaram e eu não estava lá. A sensação de culpa por ter prometido e descumprido é enorme e independe do “que” se trata a promessa.

Bom, quando entrei na escola ele estava num choro sofriiido.... meu coração ficou do tamanho de uma ervilha anã. Cheguei junto e ele falou logo “mamãe, a música já terminou...” É frustrante mesmo esperar sua mãe e ela não aparecer como combinou, mas isso é inevitável (jamais vou conseguir cumprir o horário todos os dias!!!) então pensei ali naquele momento que é melhor que ele cresça com o que aconteceu e se prepare para sofrer menos na próxima espera.

Com o coração cortado em ver a carinha dele (a gente sofre, não tem jeito), pedi desculpas pelo atraso, expliquei o que aconteceu e disse que nem todos os dias eu iria chegar na hora da música, mas que se fosse o caso eu chegaria logo em seguida, toda saudosa pra buscar meu cabrito galego. Ele fez uma cara de estranhamento ainda desfazendo o choro, mas ficou tranquilo, pra minha surpresa. Ou seja, EU estava dando um valor gigantesco a algo que pra ele era até importante, mas não tão essencial assim.

Esse simples episódio me alertou pra duas coisas: 1) a gente não consegue (nem deve) evitar todas as frustrações dos pivetes; 2) aquelas coisas que a gente faz ou mantém com medo que “dê bronca” podem muitas vezes ser um problema muito mais nosso do que deles. E se não for, se a bronca rolar, a gente pode muito bem resolver DEPOIS que acontecer..afinal, aqui pra nós, já temos problemas demais pra criar outros desnecessariamente, né?

beijo grande

1 de setembro de 2009

Festa de aniversário

Domingo levei João no niver de 3 anos de um amiguinho da escola, João Pedro. A comemoração foi numa casa de festas daquelas cheias de brinquedos pra pivetada de todas as idades e foi ótima, João se divertiu demais, comeu, brincou, fez de um tudo. Estava tudo bem organizadinho, uma belezura.

Mesmo assim saí pensando nas atuais festas. Será que vale gastar rios de dinheiro para comemorar? não sei.... Claro que tem que comemorar (no mínimo um bolo!!!!!), mas me pergunto onde vamos parar nessa “competição” entre festas mirabolantes, divertidas (sim, são divertida), “perfeitas” e caríssimas.

As facilidades estão à disposição no mercado (e nós queremos facilidades SIM!!), mas acho que está havendo um exagero e as festinhas não são mais uma comemoração com os amigos e sim um evento social para ficar na memória da cidade.

Meu Deus, quem disse que é melhor deixar o presente com uma moça desconhecida, que anota o nome e a idade do convidado, no lugar de entregá-lo ao aniversariante e aproveitar para lhe dar aquele abraço??? Onde foram parar os bolos de aniversário? e o ato de cortar (tudo errado mesmo) o primeiro pedaço? O bolo partido e embrulhado no papel alumínio é uma delícia, mas tem um gosto diferente.

Pelamordedeus,não to critiando A ou B, apenas comentando que quase não há mais festinhas e sim superproduções mega-organizadas e absurdamente caras. A gente precisa, no mínimo, se questionar a respeito. Não sei, tentar usar a nosso favor essa facilidade de ter pessoas talentosas para produzir o “pesado” da festa, sem que isso signifique robotizar uma comemoração apenas por “praticidade”, ou pior, por moda.

Entre as zilhões de festinhas que mamãe fez pra mim e meus irmãos, lembro de uma especialmente. Ela passou um tempão recolhendo e guardando potes de margarina. Vejam só! Lavou e limpou todas com álcool para tirar as marcas, depois cobriu as caixas com um papel crepon quadriculado (lembro até disso) e colou na tampa um boneco da turma da Mônica. Era a caixetinha que ficava em volta da mesa, montada pra que cada pivete pegasse a sua logo depois do parabéns.

Tudo bem, o exemplo é de outra época, quando nossas mães organizavam TUDO do niver. Os tempos avançaram e é uma maravilha poder delegar parte desse trabalhão a uma equipe especializada. O problema é que isso tomou proporções quase incontroláveis. Às vezes impagáveis.

Quem sabe associar um pouco do espírito alegre daquelas festas com quebra panela e brincadeira do saco aos novos brinquedos e serviços prontos? Talvez cheguemos perto do ideal. Digo talvez porque eu mesma sou novata na área: só fiz duas festas de bebê, uma de médio porte e uma de mínimo porte, e umas 4 de adolescente(outro esquema). Ou seja, tô na luta pra encontrar o MEU modelo. E nas minhas andanças até aqui a filosofia tem sido pé no chão, muita conversa com os pivetes sobre o que significa realmente uma festa de aniversário, e criatividade pra tentar comemorar a data de maneira especial, dentro do orçamento e do que se acredita como valor.

19 de agosto de 2009

Garotão!!


Mais um garoto! Minha nossa, vou ter mais um filho! É sim, não é chopp, nem feijão, nem coisa do tipo, é uma vida, um filho, uma bênção.

Por mais que a gente veja a barriga crescer, sinta a as mexidas do bebê, é só depois de ver COM OS OLHOS que acredita, não tem jeito. É ali, quando o bebezinho diz pra gente "oi, eu tô aqui!", que a gente percebe o milagre da vida, se emociona como poucas vezes na vida e chega bem pertinho de Deus, pra dizer com os olhos mesmo: "obrigada".
Se eu queria uma menina? juro que eu estava mesmo no neutro. risos. Obvio que pensava em como seria em ambos os casos, mas eu não conseguia responder quando alguém me perguntava o que eu estava sentindo que ia ser. Acho que as duas experiências são maravilhosas e quando cheguei no laboratório para fazer o exame morfológico estava curiosa sim, mas fui preparada mesmo é para contar TODOS os ossos da coluna, conferir os dedos, ver a mão mexer e sossegar o coração depois de ouvir um "o bebê está ótimo", da boca da médica.
Agora que sei que está tudo 100% e que é um menino, um mundo novo se abre. Ele tem corpo, rosto e tá empenhadíssimo em crescer logo pra ver o mundo aqui fora. Conhecer papai e mamãe, o irmão mais velho, Luquinhas, e o do meio, que do seu ângulo mais parece uma "coisa" teimando em ficar em cima dele, mas que depois vai saber que é João.

E quando ele nascer, nossa. Vai sentir em todos os ossos do corpo e em cada músculo o amor irreversível, incontrolável, incontestável, incondicional e absolutamente pleno que sentimos por ele. Ah sim, também vai precisar de um nome (Socorro!!!), de espaço e coisas mundanas como roupas, berço e uma lista de materiais que as lojas adoram montar. Mas isso tudo, vamos combinar, ainda que importante, é o de menos. :)

Grande beijo pra todo mundo!





29 de julho de 2009

A vontade de saber


Na minha primeira gravidez ficamos sabendo que o bebê seria João entre o 5º e 6º mês de gestação, o que é bastante “tarde” quando se sabe que é possível conhecer o sexo a partir do 4º mês, às vezes até antes disso. A minha curiosidade existia, obviamente, mas não havia ansiedade em saber o mais rapidamente possível se eu teria um filho ou filha.

Nessa segunda barriga estou com o mesmo médico e vamos conhecer o sexo também no 5º mês. Na verdade, a teoria dele (eu concordo) passa pela necessidade. Fazemos uma ecografia por volta dos 3 meses para saber como estão batimentos cardíacos, se o desenvolvimento está satisfatório, etc ( Olhaí as imagens, tá tudo bem com o nosso!!). No mês seguinte, cientificamente, os dados importantes são basicamente os mesmos. Só haverá uma mudança importante, diz ele, entre a 20ª e 24ª semana, quando se deve fazer uma ecografia morfológica, para checar os ossos, órgãos, etc. Assim, o exame do 4º mês serviria única e exclusivamente para saber o sexo. É claro que isso é importante pros pais!!! mas, em termos de pré-natal, de acompanhamento do bebê, é indiferente.

Então não é uma questão de saber ou não, é de esperar um pouco para saber e eu, mesmo sendo muuuito impaciente, lido com isso numa boa. Mas o que tenho achado engraçado é que as pessoas estão mais ansiosas do que eu!! Todo mundo pergunta do sexo e fica quase indignado quando digo que ainda é desconhecido, mesmo eu estando com 18 semanas de gestação. Aí penso em como a tecnologia nos traz um novo mundo de possibilidades, mas também a “obrigação” implícita de aderir a elas, sob pena de ser considerado antiquado. “se você pode saber e não sabe, deve estar louca!”. Há trinta anos, minha mãe soube que eu era uma menina só na hora do parto!!!! não havia imagem precisa que chegasse ao ponto de mostrar todos os órgãos e, assim, era NORMAL preparar um enxoval “meio termo”.

A tecnologia é bem-vinda e eu adoro essa modernidade!!! mas temos que torná-la uma aliada e não o contrário. Um celular caríssimo e cheio de recursos em mãos leigas mais dificulta que facilita. O médico que, no lugar de fazer uso de seus conhecimentos como base e complementá-los com os exames ,“foge” do paciente e se agarra no raio-x é aquele que faz cesáreas desnecessárias, que medica uma dermatite sem nem encostar na pele do doente, que desaprende (ou nem aprende) a conversar com o paciente não sabe nem o que é olhar-lhe no olho.

Dentro desses padrões atuais, meu médico é antiquado. Mesmo sendo adepto do computador, faz os cálculos da idade do feto na mão, com uma divisão simples. (agora me diga, há quantos séculos não fazemos uma divisão no papel?!!!). Bom, ele errou por 4 dias o nascimento de João. A máquina errou por 17. Assim, nesses tempos em que até pra curar uma gripe mais pesada temos que fazer BATERIAS de exames, quando um médico diz que um exame é desnecessário eu confesso que fico até feliz. :)

27 de abril de 2009

A dor de educar

Há pouco tempo eu e Laércio fomos chamados à escola de Luquinhas para conversar com a diretora. Já sabíamos o assunto. Muita conversa em sala, desatenção, e sinais desobediência contínua. Estávamos percebendo isso em casa e, na mesma semana, por coincidência, o homem responsável pelo transporte dele também me ligou falando de temas semelhantes.

Saí da reunião com a diretora muito triste. Laércio perguntou o que eu tinha e desabei no choro, um choro angustiado. Se sempre temos dúvidas filosóficas e práticas sobre a educação que damos aos pivetes, imaginem o dilúvio psicológico quando a própria escola te diz: “tem algo errado”.

Meu sofrimento vinha das palavras da diretora. Tudo o que ela falou era verdade. Lucas estava com algum problema e esse problema era maior do que ele estava conseguindo carregar. Precisávamos, então, encontrar a origem do comportamento, que poderia ser desde hiperatividade ou alguma questão fisiológica até uma lista de possibilidades psicológicas.

Qual seria o problema? onde estaríamos errando? Distância/ausência da mãe? Falhas minhas? de Laércio? de ambos? Ser madrasta é algo extremadamente complexo. A relação por si só precisa vencer barreiras gigantescas e ainda há o agravante do estereótipo social, que gera um desconforto só na menção da palavra madrasta. Para a criança, é como não ter mãe biológica (ela se sente inferiorizada na escola, no clube, no médico), e, para a madrasta, é ter escrito na teste que é uma mulher que cuida superficialmente do filho do marido. Um horror. Só sei que, na rotina diária, independentemente do estigma (não dominamos o que as pessoas pensam), o que precisa haver mesmo é muito amor e o meu é incondicional. Pra mim, ele É meu filho.

Quando chorei sofri por ele e por mim. Por ele porque meu pivete grande não estava bem. Por mim, porque olhar para si criticamente é muuuito difícil. E demanda coragem tripla. A de assumir o erro e a responsabilidade pelo resultado, e, depois, a de olhar adiante e tentar fazer diferente. E começamos a agir. Dupliquei a atenção dada a ele e reduzi pela metade o rigor das cobranças. Montamos novas estratégias nos finais de semana, incluindo sempre programas legais prum garoto de 12 anos. Mais conversa, novos temas, mais relaxamento.

As mudanças nele e na harmonia da casa já são visíveis e só mostram que estamos no caminho certo. E indica algo mais, os pais erram muito e sempre. Somos humanos. O único erro inaceitável na educação com amor é a omissão.

beijo grande!

2 de abril de 2009

R$ 1,50 por três horas de diversão

No úlitmo domingo perdi minha carteira e ainda sem saber da tragédia montei um super esquema para "dar conta" da diversão dos meus dois pivetes, já que Laércio estava trabalhando. Eu tinha que deixar Lucas no aniversário de um amigo, das 17 às 20h, e, para não voltar e atrapalhar a concentração de hombressito, pensei que poderia aguardar a festa acabar num farrão útil (daqueles que se brinca e se resolvem coisas) com João.

O lugar escolhido foi o Terraço Shopping, que tem brinquedos mis, piscina de bola, livraria e as Lojas Americanas (tudo de bom!!). Pois bem, depois de deixar luquinhas, fiz o anúncio pra João: Vamos nos divertir????? SIM!!!!. A cantoria no carro foi total. Entrei no shopping e não sei o que me deu na cabeça de olhar a carteira. Cadê??? Minha nossa! João, cadê minha carteira?
- você tá procurando a carteira, mamãe? tá? tá?
- tô sim. Meu deus, onde será que ela está. Revirei a bolsa, liguei pra casa e nada.
- João, volta pro carro, temos que ir embora.
- PRA CASA NÃO, MAMÃE, QUERO NÃO, QUERO NÃO, QUERO NÃO.

Quem iria querer, né? a gente mal tinha chegado! Tudo bem, fiz umas brincadeiras e falei da aventura de estacionar do lado de fora. E a bronca já começa por aí, sem dinheiro, nem no estacionamento do shopping você fica....
Voltando à história. Colocamos o carro lá fora e, depois de muito fuçar a bolsa, encontrei milagrosos R$ 1,50. Guardei no bolso da calça como nosso maior tesouro. Tá bom, o que vamos fazer... Deixa eu ver...
- Piscina de bola, mamãe!!!
- Ô João, não dá.... mamãe tá sem dinheiro.

Impressionantemente compreensivo, ele me alegrou com um "tá bom, mamãe. outro dia". E fomos para outros brinquedos numa área só de games. Se você estiver sem dinheiro, que seja com um garoto de 2, que se diverte até se o vento passar.

Dirigimos nos jogos de corrida e João sentou em todas as cadeiras para fazer a curva. Pulamos nos brinquedos, rimos das luzes e cores, e nenhum centavo foi gasto. Pra ele, estava tudo funcionando, mesmo sem fichinha ou cartão. não tem luz e som?? Então tá ótimo.

Quando cansamos, a brincadeira foi correr pelo shopping, "vou te pegar" e também de subir na escada rolante sem pegar na mão. Ele achou o máximo. A próxima parada foi a livraria. Passamos um tempão olhando e lendo l(inclusive encontrei o livro que eu estava querendo, mas na hora de "pagar" lembrei da minha situação). Vimos um bem legal de de um galo grande e João saiu de lá cantando "a galinha magricela". Uma coisa.

Tá bom, depois de tanta brincadeira, era hora do lanche. Eu tinha um suco na bolsa só faltava um fenomenal pão de queijo, que em hipótese alguma poderia custar mais do que R$ 1,50. Na primeira lojinha de Café, um pão de queijo enorme por R$ 150. Achei ótimo, mas pensei que ainda poderia encontrar um mais barato. Descemos rampas e escadas até a Casa do Pão de Queijo, onde eu sabia que os pães eram bem menores.
- Quanto é um pão de queijo?
- R$ 2.20.
- O que? isso tudo por esse pão de queijo minúsculo? Que absurdo.

João já estava salivando e com a mão esticada pra pegar o pão. Eu só podia rir da cena. Peguei ele no braço e disse... Xi, esse é muito pequeno. Vamos comer aquele grandão lá da loja de cima? ele ficou maravilhado e gritou "gandão, gandão, gandão, gandão!!!". Sentamos na mesa e nos deliciamos com um pãozão de queijo e um suco de caju, que ele não estava a fim e eu não tomei porque simplesmente detesto caju.
E pensa que acabou a farra? ainda fomos na loja de brinquedos, daquelas que são um sonho, olhamos um monte de coisas e saímos dando chau pros carros legais. Depois disso tudo, finalmente fomos buscar luquinhas e nos abrigar em casa.

Essas histórias nos fazem pensar nos dois lados da vida.... de como é difícil viver absolutamente sem dinheiro. No geral, não temos dinheiro pro graúdo, pras coisas maiores, mas um lanche aqui e ali a gente dá conta(graças!!). É dureza viver com centavos contados e sabemos que essa é a realidade de muitos... Por outro lado, é sim é possível fazer uma super farra e ser feliz como pinto no lixo, se a gente tiver o super poder de encontrar aquela alegria que não cabe nem na maior nota, nem na menor moeda.

beijos

12 de março de 2009

Comer com saúde

Conseguir manter uma alimentação saudável é sempre difícil e aqui em casa vivemos dois extremos. Nossos dois pivetes têm hábitos alimentares completamente distintos, e isso me leva sempre a refletir sobre o assunto. Se praticamente todo bebê come frutas e verduras, onde isso se perde....

De um lado, João sempre comeu bem, em quantidade e qualidade. Mamou muito, sempre foi muito estimulado a comer frutas variadas e naturais, sucos diversos, pratos coloridos de almoço e tudo como manda o figurino.

A medida que ganhou estômago pra aguentar a comida do mundo, também passou a tomar sorvetes, comer biscoitos, batata frita, mas tudo sem exageros. Hoje ele tem dois anos e acredito que conquistou um equilíbrio legal, de comer frutas (sempre mando fruta + outra coisa para o lanche da escola), verduras e também as guloseimas que nos fazem sentir que o final de semana chegou.

Com luquinhas acontece o oposto. Eu o conheci quando ele tinha com 4 anos e aos 10 ele veio morar conosco, em Brasília. Logo que chegou fomos a uma nutricionista, ela conversou com ele sobre crescimento e coisas afins e o assunto gerou o estímulo para tentar mudar a alimentação, que era de zero frutas e verduras e muitas guloseimas com chocolates e mais chocolates.
O processo durou menos de um mês...depois me vi lutando sozinha pra que ele comesse uma maça ou goiaba, ou pêra, ou banana, ou uva, ou qualquer fruta que fosse. Eu fazia a lancheira da escola dele com um biscoito de chocolate e também um fruta, que sempre voltava. Tudo começou a virar uma frente de batalha e eu recuei... ficou evidente que posso fazer tudo, menos comer ou pensar por ele. É aquela história, é dificílimo mudar um hábito que já virou cultura de vida. Agora estamos retomando o processo, mas já vi que será tão difícil quanto o anterior.

Eu sei que a tendência é cada vez mais os pivetes deixarem frutas, verduras, comidas menos gordurosas pra lá e criarem uma dieta a base de sandubas, biscoitos recheados, frituras e coca-colas. Mas acho que podemos minimizar isso mantendo a rotina dos alimentos saudáveis, variar bastante (são tantas frutas e verduras!!!!), e permitir que o pudim, o sorvete e o pastel também entrem, sempre que o momento couber. Acredito que assim (é minha esperança!), ainda que haja uma mudança, os pivetinhos vão achar a melancia madurinha e partida na hora tão gostosa quanto abrir um pacote de bono para comer no sofá.
Talvez tenha faltado esse acompanhamento com Lucas durante anos e por uma série de razões que não vêm ao caso, mas vamos tentar fazer com que esse mundo colorido e saudável ganhe mais espaço na vida dele. Persistência é meu nome. :) Na verdade, se a gente pensar direitinho, tudo o que queremos que os pivetes façam/pensem quando estiverem maiores (honestidade, gentileza, hábitos saudáveis, gosto pelo estudo, etc), tem que ser ensinado e acompanhado desde pequetiticos.












4 de março de 2009

Trabalho de verdade

Ainda estou na luta por uma empregada-babá. E como a luta é grande!!! Entrevistei uma mulher que estava muito interessada no trabalho, que topou meus horários de aulas noturnas, se disse apaixonada por criança e que seu último emprego tinha sido de faxineira. Desesperada, pensei comigo.... gente, ela deve arrumar a casa bem direitinho e cuidar dos meninos também, já que é mãe de dois pivetinhos. Enfim, topei a empreitada de ensinar tudo, explicar regras, horários, como somos, como funcionamos, como João se comporta, o que Lucas faz, as preferências, as urgências, enfim, tudo, tudo, tudo.

No primeiro dia, achei que nada estava arrumado, mas dei aquele desconto por um provável nervosismo inicial. No segundo, quando eu falava algo ela virava a cabeça lentamente, como se dissesse "ai meu Deus, o que é que essa mulher quer" e me respondia com um "hã?". Descemos com João, ela sentou no balanço e ficou olhando pro mundo todo, menos pro galego. E pra finalizar, depois de todo um dia de trabalho dela, o resultado que vi quando cheguei à noite foi banheiro sujo e casa arruamada às pressas. Aí decidi que não dava. No terceiro dia, inventei uma história (sou fraca que só caldo de maxixe pra demitir!) e a mandei embora. Acho que hoje as pessoas não querem trabalhar de verdade....

Tô me virando sozinha... como? nem eu sei. O que sei que é tô me armando pra guerra, organizando uma rotina viável pra sobreviver a esse vendaval, tudo porque ando descrente de que vou encontra alguém que trabalhe pra valer. Até achar, viro noites trabalhando e organizando as aulas e reportagens, e aprendo - na marra - tarefas domésticas que nunca soube fazer na vida!

SOCORRO: quem souber de alguém que valia a pena indicar me avise!!!!!

19 de fevereiro de 2009

SOCORRO, A BABÁ VAI EMBORA!!

Ter alguém pra ajudar a arrumar a casa e cuidar dos pivetes é quase uma regra depois que vêm os filhos. Antes deles, a gente dá um jeito, contrata diarista ou até tem empregada fixa, mas o problema é bem menor, afinal, o máximo que pode acontecer é a casa ficar desarrumada ou o almoço sem sal.

Simone, a pessoa que trabalha aqui, pediu pra sair, vai se mudar pra Bahia com o marido. Quase tive um treco. Primeiro de tudo porque ela cuida muito bem de João, dá atenção à Lucas, arruma a casa direitnho e escuta as coisas na primeira vez que a gente fala (como é raro encontrar alguém assim!!). Em segundo lugar, quem vai colocar João pra dormir quando eu estiver dando aulas à noite (Laércio chega tarde e viaja muito)????? Em terceiro, gostei dela e essa história da Bahia vai ser uma barca furada (começar do zero com um namorado novo e que não é muito afeito ao trabalho....), mas são coisas que se faz por amor e por isso fico na torcida pra que dê certo.

Só que torcidas à parte, passei uma semana do cão tentando montar alguma estratégia para não mais precisar de uma pessoa... tô cansada do desgaste, de readaptar tudo, ensinar as coisas, me acostumar com o jeito da pessoa (e do trabalho da pessoa). Sem falar nos medos de deixar o pivetinho sozinho com alguém que vc simplesmente não conhece....depois de ver e ouvir tanta coisa por aí.... Ui, é duro.

Mas não encontrei alternativa (a não se que a gente pare de trabalhar). Ou seja, vamos à luta, encontrar outra pessoa, sofrer na escolha (sabe o cansaço antecipado?), sofrer para adaptar (João tem uma dificuldade grande de readaptação) e torcer muito: pra ser alguém da paz, em seguida pra que dê certo, e depois pra que não vá embora depois de três meses de trabalho.

Taí, esse é um assunto que todo mundo tem história pra contar! cadê a de vocês!

13 de fevereiro de 2009

Tirania Infantil

O texto abaixo é de Contardo Galligaris e foi publicado ontem na Folha de São Paulo. Vale muito a reflexão!
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NA SEMANA PASSADA , o programa de Boris Casoy (TV Bandeirantes) quis me entrevistar sobre "tirania infantil", ou seja, sobre as crianças que os pais não conseguem controlar e que, de fato, controlam seus pais. Não consegui encontrar um horário para a entrevista; em compensação, fiquei o fim de semana inteiro meditando sobre a tirania infantil.

Claro, pensei na série "Supernanny", que, no Brasil, está na quinta temporada, no SBT. "Supernanny" é um reality show, no qual a educadora Cris Poli visita famílias que se inscreveram previamente pedindo a ajuda de uma superbabá. Poli observa, analisa o que acontece e aconselha os pais. As sugestões práticas de Poli já devem ter ajudado muitos pais desesperados: até agora, há mais de 30 mil famílias que se candidataram. Não é o caso de estranhar: o desespero dos pais que não conseguem controlar suas crianças é a consequência extrema de traços culturais específicos de nossa época.

1) A tirania infantil é o regime no qual vivemos: ela foi decretada há 200 anos, no mínimo. A partir do fim do século 18, acreditando ou não que haja uma vida no além, a gente começou a considerar que a morte é o fim da única vida que importa: a nossa. A continuidade da espécie, do vilarejo, do sobrenome, da alma ou da torcida organizada de nosso time pararam de ser um consolo: "Quando eu morro, a coisa acaba". Só uma exceção: as crianças, que se tornaram, para nós, a única forma concreta de sobrevivência: "Morro, tudo acaba, mas os filhos me continuam, eles jogarão por mim os tempos suplementares de minha vida".

2) Um efeito imediato dessa mudança cultural é que passamos a querer que as crianças sejam (ou pareçam) sempre "felizes". Desejamos que elas encenem a felicidade de nossa vida "futura", ou seja, de nossa vida como esperamos que ela continue depois da nossa morte. Por consequência, educar se tornou impossível: sei que, a longo prazo, Joãozinho e Mariazinha se darão melhor na vida se ele parar de fazer cocô na sala e ela deixar de visitar a cama dos pais a cada noite, mas negar-lhes esses "prazeres" significa encarar um espetáculo de choros, gritos e raiva. Como aguentar a infelicidade daqueles que são encarregados de me mostrar desde já a felicidade que eu não tive, mas que terei post mortem? Frustrar os filhos significa admitir que nossas frustrações sobrevivem à gente, que, de uma maneira ou de outra, elas continuam na nossa descendência.

3) Na mesma época em que as crianças se tornaram representantes de nossa vida além da morte, começamos a organizar nossa sociedade pelos sentimentos. Não só nos casamos por amor, mas até nossos laços de sangue pouco valem sem os afetos. Passamos de um mundo em que havia laços com ou sem sentimentos (tanto fazia) a um mundo em que os sentimentos são condição dos laços. Por exemplo, para ser pai ou mãe é preciso ser reconhecido e amado como pai ou mãe; o respeito não é gratuito nem "natural": ele é ganho como se ganha o afeto do outro em qualquer relação.

Os pais modernos devem, em suma, conquistar (e manter) seu lugar no coração e na cabeça dos filhos. Sem isso, eles param de ser pais. Portanto, a cada vez que eles impõem um castigo ou fincam o pé, eles são corroídos pelo medo de perder seu próprio lugar de pai e mãe, porque 1) as crianças poderiam deixar de amá-los; 2) eles mesmos estariam, naquele instante, deixando de amar suas crianças. Certo, na hora da irritação, amamos menos nossos rebentos; problema: se o amor é condição dos laços, eis que a família é ameaçada de dissolução por nossa "severidade". Castigar parece valer como uma expulsão do lar.Por isso, os pais não conseguem castigar sem culpa, e as crianças castigadas, por exemplo, fogem de casa, entendendo que seu lugar não é mais ali.

4) Como se não bastasse, o castigo é imediatamente acompanhado por seu contrário. Os pais tentam se impor e se fazer valer (recorrendo, exasperados, até à força), mas, com isso, receiam perder o amor da criança e seu amor por elas, ou seja, receiam acabar com a família. Logo, quando eles castigam, querem imediatamente "reparar" o amor: a educação se transforma assim numa alternância repentina de pancadas e mimos.

Tranquilize-se: as crianças não enlouquecem; mas se tornam, isso sim, manipuladoras, ou seja, aprendem a produzir elas mesmas a alternância que desejam: "Castigue-me, que estou a fim de um mimo".

ccalligari@uol.com.br

11 de fevereiro de 2009

Suvaco da Asa

Eu e Laércio fomos à prévia carnavalesca Suvaco da Asa no último sábado. Muito bom! uma folia bem pernambucana, do jeito que o diabo gosta.

Lucas não quis ir porque estava na casa de um colega... nessa idade, sem companhia tudo é chato. João não foi, mesmo eu sabendo que muitos pais levariam seus pivetinhos para ver a folia. Achamos melhor não. Ele não aguentaria o percurso, ia querer braço e só braço, na hora dos apertos teríamos que sair pelas laterais e acompanhar a orquestra seria impossível. Dá sim pra levar os pivetes, mas tem que ficar parado num canto, e ver tudo quase de perto. Ele não ia se divertir, nem eu. Não é questão de preguiça ou de canseira (a gente aguenta o tranco!), é que às vezes precisamos ser racionais e pensar no que realmente dá pra fazer, sob pena do resultado ser desastroso. É claro que em muitos casos não temos escolha, (a babá de João não trabalha nos findes) então vai na marra mesmo. Ou então (como foi o caso), é preciso montar a estrutura uma semana antes - tive que dar folga na sexta-feira pra que ela estivesse aqui no sábado (obviamente, achando péssimo). Enfim, tudo deu certo, nós brincamos no Suvaco e nosso galego de moto, no paquinho que adora.

Lá na folia não me arrependi em nada da decisão, ao contrário, fiquei feliz por termos acertado. Então João não vai ter carnaval???? Claro que vai!!! tem um monte de bloco que ele vai amar curtir, com garotada feliz como pinto no lixo. E nós estaremos lá, em todos, curtindo com ele a farrinha que é do tamanho dele. É claro que não é Recife (nem o acho é pouquinho!).... mas a farrinha carnavalesca dele ele vai ter. Às vezes erramos a previsão.... mas o fato é que se a gente souber (TENTAR) fatiar bem a pizza, dá pra todo mundo comer um pedaço sozinho e outro dividindo as mordidas.

5 de fevereiro de 2009

Gente grande


João tá virando gente e curtindo ser parte de uma família. Quem não gosta, né? Como ele vinha desabado da escola (e por isso almoçava por lá) passava com morfeu as horas do almoço. Agora, chega acordadíssimo, então consegue brincar enquanto esperamos luquinhas vir do colégio. É lindo ver. Quando Lucas aparece ele fala logo,"vamos comer todo mundo? "todo mundo?".

Aí a lavação de mãos é na mesma hora e todos partimos para a mesa, que já tem o pratinho dele no lugar que é dele. Com a ajuda de duas almofadas ele senta, todo organizado, e começa a falar o que vai querer (quer tudo! risos). Enquanto come como um lorde (de boca fechada e sem bagunça) repete mil vezes "tá comendo todo mundo". Quando a frase não é essa, é uma ordem: "come, Luquinhas"; "come, mamãe". risos. A alegria dele é a de comer (sim, ele ama comer!!), só que é mais do que isso, é a alegria de simplesmente estar juntinho da mamãe, do irmão e do papai (quando dá), fazendo todo mundo a mesma coisa. E à mesma altura. Ali ele ouve e participa das conversas:"depois que comer vamos brincar de carro, tá certo?". Por dentro eu morro de rir, achando tudo de bom ver aquele que era um pedaço galego de carne virar gente e o outro, que já era gente, virar gente grande.

26 de janeiro de 2009

Nossa casa

Saudades de escrever aqui no quintal!

Depois de uns 25 dias de férias em Recife retornamos a Brasília e estamos todos no processo de readaptação. Pra mim (e acredito que para Laércio e Lucas também) Recife é sinônimo de casa, família, amigos e de uma enorme e deliciosa sensação de pertença (povo, cultura, hábitos...). E é justamente aí que o emaranhado de sentimentos começa, já que há sete anos minha "casa" não é lá, e sim aqui, em Brasília. É aqui que criamos nossos filhos, que trabalhamos, nos divertimos. Aqui estão minhas coisas, minha cama, é aqui que levo João pra escola, lucas para as festinhas, etc. Recife é a minha cidade, Brasília é minha morada. Adoro a música cantada por Dominguinhos que começa assim: "amigos a gente encontra, o mundo não é só aqui. Repare naquela estrada!!! A que distância nos levará?".

A vida da gente é uma soma de vivências e cada parada, cada nova emoção nos transforma e retransforma, e por isso não somos iguais ao que éramos ontem nem amanhã seremos como somos hoje. Recife é minha história, o sangue que corre nas veias (e para onde quero voltar!!), mas Brasília é também uma benção, uma cidade que adoro e que me recebeu sem restrições.

A verdade é que vida pulsa e o nosso coração (trabalhador que só ele!!!) acompanha o ritmo. Uma vez vi uma entrevista de uma mãe que acabara de ter o segundo filho. Ela dizia que durante a segunda gravidez se perguntava se teria condições de amar o novo bebê tanto quanto o primogênito, já que aquele amor era o maior que já havia sentido. A resposta estava nos olhos dela, o coração da gente é mágico e tem uma capacidade atlética de amar. Amar filhos (no singular e no plural), pessoas, coisas, idéias, cidades. Tudo o que consideramos importante ganha espaço nesse coração (embora precise ser cultivado para se manter lá). Cada pedaço de vida (bom e ruim) é valioso e válido. Essa, aliás, é a maior riqueza que podemos conquistar.

Bom 2009!