8 de agosto de 2011

Paciência














O mundo parece estar mais prático. Há máquina para lavar prato, escova de dente que faz o serviço sozinha, carro que dá ré no automático, celular que é computador, máquina fotográfica, filmadora e até telefone, enfim, a tecnologia quase ultrapassa a imaginação. Só não existe ainda uma maquineta que dê paciência, elemento chave na maternidade. Irmã caçula do tempo, da espera. (andei pensando nisso nas férias escolares SEM empregada!!!).

Acho até que os nove meses de gestação são a primeira grande tarefa de casa. O amor exige paciência. Ouvir, olhar nos olhos, conversar, abraçar. Tempo, tempo, tempo. Saber esperar é um valioso aprendizado. Esperar um presente é alimentar o desejo mais intenso, é ser feliz antes mesmo de rasgar a embalagem. Até o erro tem no tempo e na paciência a capacidade de se transformar em acerto. A sabedoria não tem pressa.

O duro é que nessa modernidade de muito trabalho e alta tecnologia, ironicamente capazes de melhorar a vida e dar mais tempo às pessoas, o elemento paciência anda bem em falta. A rotina não ajuda: trabalho, problemas a resolver, bagunça, choro, grito, cansaço, levar e pegar nesse trânsito..... mas aí acho que entra o esforço de mãe. Tentar ter paciência é mais do que metade do caminho e os resultados são maravilhoso. Instituí tempos atrás o abraço de bom dia nos meninos. Não importa o atraso, o cansaço. Quando eles acordam a gente se abraça e diz bom dia. Depois disso tudo fica mais fácil, mesmo quando está difícil. 


Na verdade, acho que tem a hora do grito sim, do ataque de nervos. Somos normais, enfim! A gente só tem é que manter esses momentos necessariamente como exceção. :)

23 de junho de 2011

De dois para quatro

Mesmo com uma barriga monumetal e pesada, acho que Luciana – minha amiga irmã- está flutuando. A gravidez tem dessas coisas. O corpo da gente, numa generosidade involuntária, trabalha duro para suprir e cuidar de outro ser. Imagine bombear sangue para três corações? Isso, definitivamente, não é para qualquer um.

Os nove meses de gestação são absolutamente marcantes, mesmo para quem tem décadas (ui!) de vida. Hormônios fazendo revolução, um corpo que não para de mudar e uma barriga que ganha o mundo e fala por si. Gera sorrisos sinceros nas pessoas(é impressionante!), motiva gentilezas inesperadas e carinhos momentâneos de quem a gente nunca viu antes. Acho que o sentimento de vida e renovação contagiam mesmo, talvez pela confirmação da beleza e poder do ser humano, talvez pela alegria de sentir a vida mais de perto, ou talvez por nada disso.

Chegou o momento de Lu e Guinho e essa estreia em dose dupla é emocionante. De suspirar.  Uma bênção, um SUPER presente (super loucura, super noites em claro! Hahahah), um amor sem fim. Incondicional.

Fico feliz e realmente emocionanda quando penso neste novo momento dos dois, em que o coração cresce astronomicamente, a responsabilidade quase sufoca e a vida se redesenha, ganhando outras cores.  Alguns chamam isso de maturidade. 

Tenho certeza de que a serenidade com que lidam com a vida estará nos cuidados com Letícia e Felipe, que terão os melhores pais de todos os tempos. Amar e tentar fazer o melhor é o que por instinto pais e mães estagiários fazem. A vaga de profissional vem com o tempo, com os muitos erros. Mas não há com que se preocupar,  a gente erra bastante e logo. 

Que venham Letícia e Felipe!!!! Lu e guinho estão prontos, as “meninas” estão cheias de braços e tia Cláudia está sorrindo e abençoando. Todos nós estamos felizes e felizes e felizes. 

6 de maio de 2011

Dia das mães na escola

O dia começou cedo. Antes das 6h eu já estava com Bernardo no braço, pra tomar a mamadeira matinal. Ele gruda como superbonder por uns 10 minutos quando acorda. Pouco depois acordou João, querendo comer. 


Tic Tac, vamos correr!!! a festa antecipada do dia das mães na escola começa às 7h30. É um procura, procura de farda, organização das mochilas, choro de um, choro de outro. Vamos lá, acho que chegaremos em tempo. Todos prontos? Vixe, falta escovar os dentes. Etapa vencida. "João, enorla Bernardo que eu vou trocar de roupa, tá?" Impossível, o moreno nasceu com um sensor da nasa. 


Vamos, vamos, vamos! Eita, para tudo! esqueci a máquina. Volto correndo e Bernardo se dana a chorar.  Agora sim, vamos descer. Eita que elevador demorado! a pressa é amicíssima da demora. Mas vamos e vamos. No carro, uma conversinha básica com João, sempre avesso às apresentações em público. "Olha, é só fazer tudo o que vocês ensaiaram! não é nada demais", digo com o coração apertado, mas fazendo cara de quem realmente acha que não é grande coisa.  Ele sofre tanto com essas apresentações que eu já saio de casa pra esses eventos com uma sensação estranha.


Chegamos. Descendo do carro, galera!!. Eita, Bernardo tá com o nariz escorrendo. Minha nossa.
- Vamo mamãe!
- Peraí, João, tô limpando Bernardo.


Corre, corre. Entramos. "Chegamos, chegamos, tudo deu certo".  O que? é na outra unidade? Que absurdo!! Vamos, vamos. Corre, Corre. Acho que não estou nem sentindo mais meu braço de tanto carregar Bernardo. Vamos.


Esbaforida, chego preocupada com a dança de Bernardo, porque achei que fosse ser a inicial. Bom, primeiro deixar João com a turma e depois voar pra quadra.
- Não, João. Eu não posso ficar lá com você. Tenho que deixar o moreno com a turminha dele!
- Por favor, não quero ir!
- vá, meu amor. É a sua turma, são seus amigos.


"Vai rolar a trava geral.... Ele já sentiu que é dia de plateia". Meu coração foi se apertando... Calma, Juliana, calma. João ficou, mas querendo desaparecer. E lá vou eu correndo ver a turminha do moreno. Pra minha surpresa, várias apresentações aconteceram antes. Ou seja, Bernardo que estava serelepe, começou a ficar abusado...


Eita, é a turma de João. Vamos ver, Bernardo!! Olha ele alí!!! "AÊ, galeguinho!! uhu!!" E o moreno chorando, tentando pegar a máquina e eu tentando mirar pra registrar a entrada. Ele entrou!!!!!!!  "Tomara que ele consiga respirar", pensei. No estado em que eu me encontrava, leia-se completamente descabelada, com Bernardo virado no mói de coentro, desliguei de tudo para enxergar apenas o galeguinho. Ele cantou, fez a coreografia e ainda deu um sorriso de canto de rosto quando me viu. Lágrimas e lágrimas. Foto? hahahaha só rindo.


Terminada a música, lá vem ele me dar um abraço. É muuuito bom ser mãe. Ok, sentimento registrado, agora é correr pra deixar Bernardo na fila com as tias. Corro, deixo ele lá e volto. Quando estou sentada com João, ouço no microfone: "a turma do ninho vai dançar com as mães". O que?? como é que vou tirar fotos, quem vai ficar com João??
- Vamos lá, João?
- Eu???? não vou dançar!!
- Você vai ficar juntinho de mim e tirar as fotos.
- Eu? oba!
- É!!! tira fotos boas, tá?.


E corremos mais uma vez. Dancei com Bernardo, que já estava pra lá de irritado, depois corremos mais uma vez pra atender o chamado de uma tia, que ia me dar os presentes que os dois fizeram. Mais abraços e beijos. Que horas são? 9h. Pronto, depois da falação do microfone haveria aula "normal" até o final da manhã.
- Eu quero água, mamãe.
Água? vocês querem água?
- Eu quero.


Copo descartável pra João e, minha nossa, pra Bernardo também. O bichinho tentou e até que bebeu bem, mas metade do líquido ficou na camisa dele, metade na minha. Vamos em frente. "Dá a mão pra atravessar a rua! vamos". Um numa sala, ou outro na outra. Ok. Chau! jajá volto.


Deixei a escola esbaforida, grudada de suor, praticamente sem fotos tiradas e com o braço dormente, mas feliz como nunca. :)


Feliz dia das mães


Juliana



3 de agosto de 2010

Caixa deLápis



Prometo que na semana que vem tem texto novo! Pra não adiar mais a atualização trago um texto que escrevi pro blog de uma amiga quando João tinha pouco maias que um ano e meio.


caixa de lápis

Quando nossos filhos nascem, da barriga ou do coração, infelizmente não recebemos uma bula indicando as medidas adequadas de afeto, segurança, exigência, etc. Definir os limites das nossas ações está entre as questões mais complexas da maternidade. Excessos, inclusive de amor, tendem a causar mais danos que benefícios....

Tento me basear (quando viável) na metáfora do violão, usada por Buda. Ele dizia que as cordas desse instrumento poderiam se partir com um leve toque se estivessem esticadas demais; Se frouxas em demasia, não produziriam som. É exatamente o ponto do meio, do equilíbrio entre os extremos, que produz a vibração ideal das cordas quando tocada pelos dedos.

Dia desses tentei ensinar a João, de 1.8 meses, a guardar os lápis depois de desenhar. Ao final da brincadeira eu mostrava a ele o que fazer e como tudo poderia ser bem divertido. Não fui muito feliz nas primeiras tentativas, mas mantive a proposta. Eu dizia a mim mesma: se ele sabe onde estão os lápis e como despejá-los no chão, vai saber guardá-los. Criei, então, uma nova regra: encerrados os desenhos, somente passaríamos a outra brincadeira DEPOIS de guardar os lápis. Os choros se aproximavam de escândalos, mas fui firme e não retrocedi.

João ficou doente nessa época e na consulta ao pediatra, enquanto ele chorava com todo aquele mexe aqui, toca ali, eu tentei acalmá-lo: “olha, João, um peixe na parede!!”. O médico (linha dura) me disse para não fazer aquilo, pois demonstrava pra João que eu estava ansiosa e assim ele chorava mais e mais. Meio incrédula (e desconcertada) parei de falar, e, aos poucos, as lágrimas do galego cessaram. Fiquei impressionada!

Enquanto ele prescrevia os medicamentos eu inventei de mencionei a questão dos lápis, do hábito que eu estava lutando para implantar, etc. Ele comentou que achava uma ação inadequada para a idade. “É muito elaborado para quem não tem nem 2 anos”, disse. Foi o que bastou para eu sair da consulta me sentindo a reencarnação de Hitler. Talvez eu realmente tivesse ultrapassado a linha de Buda, e essa era a explicação para os altos volumes de choro de João com novo meu “método”. Para não mudar radicalmente de atitude resolvi que não abandonaria a idéia nos dias seguintes, mas pegaria leve no processo. Se ele não mostrasse avanços, em vez de insistir, eu deixaria o aprendizado para uma idade mais avançada (e adequada).

Dia seguinte, enquanto João fazia seus desenhos fui organizar umas coisas no quarto. Quando voltei, antes até de pensar em mencionar a palavra guardar, me deparei com aquele pequenino galego catando sozinho cada pedaço de lápis de cera e colocando lindamente dentro da caixinha. Os resultados vieram antes mesmo de eu “pegar leve”. Fiz uma festa, dei os parabéns e senti uma felicidade sem tamanho. Ganhei o dia, a semana, o mês. Atualmente, ele mesmo toma a iniciativa e reúne toda a confusão, sem reclamar.

Essa vivência me trouxe três aprendizados. O primeiro é que os hábitos não são criados de um dia para outro....é preciso obstinação e uma grande dose de segurança quanto ao que queremos e entendemos como correto. O segundo é que temos sempre que TRIAR as orientações médicas (elas são maravilhosas, mas têm sempre uma receita pronta, “tamanho único”) e o terceiro é que precisamos reavaliar constantemente nossas metas/ações (cada criança é diferente!) e ter o bom senso para manter o pé no acelerador, reduzir a velocidade ou até deixar o carro na garagem, nem que seja para dirigir novamente na semana que vem.






11 de março de 2010

REFLEXO

Um dos atos mais emocionantes entre mãe e filho é mesmo a amamentação. Não apenas porque o leite é um líquido mágico (como é que, sozinho, vale como arroz, feijão, água, suco, vitamina???), mas por causa do contato físico e visual.

Agora, com Bernardo, revivo as maravilhosas sensações de quando amamentava João. Uma delas, que me fazia e me faz "viajar" é poder me ver literalmente refletida nos olhos de Bernardo. Quando nos entreolhamos fixa e demoradamente, meu rosto aparece refletido no espelho dos olhos dele, num encanto que me faz percebê-lo como uma extensão minha, uma parte mesmo de mim, tendo a certeza de que muito do que sou/estou fará parte dele, como uma tatuagem.

Sempre que observo isso, inconscientemente meu sorriso se abre e a magia se repete, vejo minha alegria através dos olhos do meu filho. E penso a respeito da maternidade... no miúdo: trabalhão, amor, cansaço, satisfação. No graúdo, acho que é uma oportunidade de se reinventar, de ser uma pessoa melhor, por e para que esses pivetinhos que saem da gente (ou não) tenham o melhor de nós, saibam encontrar o melhor si mesmos nesse mundão, e façam diferença. Ou, então, podemos chamar tudo isso simplesmente de felicidade. (e a minha é tripla!!)