No úlitmo domingo perdi minha carteira e ainda sem saber da tragédia montei um super esquema para "dar conta" da diversão dos meus dois pivetes, já que Laércio estava trabalhando. Eu tinha que deixar Lucas no aniversário de um amigo, das 17 às 20h, e, para não voltar e atrapalhar a concentração de hombressito, pensei que poderia aguardar a festa acabar num farrão útil (daqueles que se brinca e se resolvem coisas) com João.
O lugar escolhido foi o Terraço Shopping, que tem brinquedos mis, piscina de bola, livraria e as Lojas Americanas (tudo de bom!!). Pois bem, depois de deixar luquinhas, fiz o anúncio pra João: Vamos nos divertir????? SIM!!!!. A cantoria no carro foi total. Entrei no shopping e não sei o que me deu na cabeça de olhar a carteira. Cadê??? Minha nossa! João, cadê minha carteira?
- você tá procurando a carteira, mamãe? tá? tá?
- tô sim. Meu deus, onde será que ela está. Revirei a bolsa, liguei pra casa e nada.
- João, volta pro carro, temos que ir embora.
- PRA CASA NÃO, MAMÃE, QUERO NÃO, QUERO NÃO, QUERO NÃO.
Quem iria querer, né? a gente mal tinha chegado! Tudo bem, fiz umas brincadeiras e falei da aventura de estacionar do lado de fora. E a bronca já começa por aí, sem dinheiro, nem no estacionamento do shopping você fica....
Voltando à história. Colocamos o carro lá fora e, depois de muito fuçar a bolsa, encontrei milagrosos R$ 1,50. Guardei no bolso da calça como nosso maior tesouro. Tá bom, o que vamos fazer... Deixa eu ver...
- Piscina de bola, mamãe!!!
- Ô João, não dá.... mamãe tá sem dinheiro.
Impressionantemente compreensivo, ele me alegrou com um "tá bom, mamãe. outro dia". E fomos para outros brinquedos numa área só de games. Se você estiver sem dinheiro, que seja com um garoto de 2, que se diverte até se o vento passar.
Dirigimos nos jogos de corrida e João sentou em todas as cadeiras para fazer a curva. Pulamos nos brinquedos, rimos das luzes e cores, e nenhum centavo foi gasto. Pra ele, estava tudo funcionando, mesmo sem fichinha ou cartão. não tem luz e som?? Então tá ótimo.
Quando cansamos, a brincadeira foi correr pelo shopping, "vou te pegar" e também de subir na escada rolante sem pegar na mão. Ele achou o máximo. A próxima parada foi a livraria. Passamos um tempão olhando e lendo l(inclusive encontrei o livro que eu estava querendo, mas na hora de "pagar" lembrei da minha situação). Vimos um bem legal de de um galo grande e João saiu de lá cantando "a galinha magricela". Uma coisa.
Tá bom, depois de tanta brincadeira, era hora do lanche. Eu tinha um suco na bolsa só faltava um fenomenal pão de queijo, que em hipótese alguma poderia custar mais do que R$ 1,50. Na primeira lojinha de Café, um pão de queijo enorme por R$ 150. Achei ótimo, mas pensei que ainda poderia encontrar um mais barato. Descemos rampas e escadas até a Casa do Pão de Queijo, onde eu sabia que os pães eram bem menores.
- Quanto é um pão de queijo?
- R$ 2.20.
- O que? isso tudo por esse pão de queijo minúsculo? Que absurdo.
João já estava salivando e com a mão esticada pra pegar o pão. Eu só podia rir da cena. Peguei ele no braço e disse... Xi, esse é muito pequeno. Vamos comer aquele grandão lá da loja de cima? ele ficou maravilhado e gritou "gandão, gandão, gandão, gandão!!!". Sentamos na mesa e nos deliciamos com um pãozão de queijo e um suco de caju, que ele não estava a fim e eu não tomei porque simplesmente detesto caju.
E pensa que acabou a farra? ainda fomos na loja de brinquedos, daquelas que são um sonho, olhamos um monte de coisas e saímos dando chau pros carros legais. Depois disso tudo, finalmente fomos buscar luquinhas e nos abrigar em casa.
Essas histórias nos fazem pensar nos dois lados da vida.... de como é difícil viver absolutamente sem dinheiro. No geral, não temos dinheiro pro graúdo, pras coisas maiores, mas um lanche aqui e ali a gente dá conta(graças!!). É dureza viver com centavos contados e sabemos que essa é a realidade de muitos... Por outro lado, é sim é possível fazer uma super farra e ser feliz como pinto no lixo, se a gente tiver o super poder de encontrar aquela alegria que não cabe nem na maior nota, nem na menor moeda.
beijos
2 de abril de 2009
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4 comentários:
Fantástico Juli, nada como ter que fazer algo e realmente fazê-lo! E ainda mais...praticamente sem dinheiro....nessa era de shoppings da vida ninguém vai mais para as praças..mas tb hoje a violência é assustadora...somos privilegiados pela infância que tivemos. Acho que essa "mágica" que fez garantiu a tarde de diversão de João que era sua intenção...lembrei do filme EM BUSCA DA FELICIDADE quando will smitt cria um mundo fantasioso dentro do banheiro do metrô com o filho porque simplesmente não tem para onde ir com o filho...dadas as devidas proporções a mágica foi a mesma...garantir o bem estar/lazer do filho sem que ele perceba a realidade por tras . Céo
Oi, Céo!
Com certeza nossa infância foi bem diferente.... a insegurança de hoje termina fazendo dos lugares fechados pontos visistados com frequência. Mas acho mesmo é que a gente tem que se adaptar e tentar abrir (sem escancarar! risos) quando houver brecha.
Em tempo, achei a carteira INTACTA num restaurante. Mesmo podendo, ninguém mexeu em nada. São essas pessoas que nos fazem manter a crença no ser humano!!
Beijos
Oi Ju,
Li a história e lembrei de você contando os detalhes lá na Unieuro. O que mais gosto nela é do fato de você ter encontrado meios de se divertir com João mesmo tendo apenas R$ 1,50 no bolso. Se ele fosse maiorzinho talvez conseguisse guardar na lembrança essa tarde no shopping como uma das mais divertidas. Talvez muito mais do que quando você está com grana e pode comprar tudo o que ele pede. Bjs,
Oi JU, fazia tempo que não passava por aqui, mas bateu uma saudade resolvi dar uma chegada no quintal. Para minha surpresa, dei de cara com um bebê que por um momento me fez pensar...acho que conheço de algum lugar...eheheheh. Que ótimo! É o meu menino!!!! Fiquei meio sem palavras e me senti muito honrada, por ter sido tão carinhosamente lembrada e citada no seu quintal. Estou aqui cheia de saudade! Um super beijo.
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