7 de janeiro de 2010

Primeira grande história de Bernardo


Nascido no corredor do hospital, nos braços do pai, eis Bernardo: 4.2kg, 53 cm e muuuita valentia.


Nos últimos dias de gravidez fiz um esforço tremendo pra lembrar da dor do trabalho de parto. Meu receio era não reconhecer o sinal e não ter tempo pra conversar com João e organizar a vidinha dele antes da ida ao hospital. Acho que a memória meio que esconde o jogo pra evitar traumas! A gente lembra que houve dor intensa, mas não "como" ela foi.

Mas é batata, quando senti um troço diferente no domingo (27/12) eu SABIA que aquele era O sinal. A programação do dia era levar Luquinhas ao aeroporto (estava de malas prontas pra passar as férias em Recife) e depois passear com papai e mamãe, que tinham chegado no dia anterior. Com a mudança de planos, Láercio foi levar luquinhas e eu fiquei brincando com João, a espera de mamãe e papai, que ficariam com o galego enquanto eu estivesse na luta! risos.

Bom, quando eu e Laércio chegamos ao hospital ficamos sabendo que a UTI neonatal estava lotada. Não havia vaga em nenhuma UTI dos principais hospitais. Achei aquilo estranhíssimo e juro que pensei (com minha cabeça de mulher que estava pra parir) que fosse algum sinal ruim. Além disso, meu médico estava viajando e não conseguíamos falar com o obstetra substituto. Ok, calma. Respira. Vai dar tudo certo. Repeti essas palavras umas 477 a cada minuto. As dores vinham com tudo e passavam com tudo.
Fomos a um segundo hospital (antes de saber da lotação geral) e o médico que me examinou fez o toque e disse que a dilatação era de 3 cm, mas que tudo ainda ia demorar bastante. "É melhor você voltar pra casa, descansar e esperar as contrações apertarem mais. A gente só interna a partir de 4 cm ou quando a bolsa rompe". Pra mim, diferença de 3 para 4 cm é praticamente zero..... mas nem esse argumento o fez mudar a orientação.... Enfim, voltamos pra casa.

Nesse meio tempo conseguimos falar com o médico substituto e ele também me disse que voltasse para casa e retornasse ao hospital às 15h30 para um um novo exame e tal. Em casa, comemos alguma coisa e as dores já estavam em alerta laranja. Resolvemos então sair "mais cedo" pro hospital. Na espera do elevador, a contração foi tão forte que senti necessidade de agachar e, quando dobrei as pernas, a bolsa estourou. Minha nossa, vamos!!!!!!!! As dores já vinham de um jeito que mal dava pra respirar.

Na chegada ao hospital lembrei bastante do parto de João. Esperamos na recepção um tempão até que organizassem a papelada, pedissem autorização do plano, coisas absurdas assim. Bom, mas lá estava eu naquele sofrimento novamente. As contrações davam até sensação de desmaio. Sentada na cadeira, disse pra Laércio: "esse menino tá nascendo".

Depois de um século e meio chegou a médica, andando calmamente....eu disse que estava com muita dor e que era difícil andar. Aí ela veio com a pérola: "Vamos indo porque não vai ser legal se nascer no corredor, não é?". Caminhamos um pouco em direção uma sala que ficava logo no início do corredor. Fui logo dizendo que queria anestesia e enquanto eu falava uma mulher tentava abrir a porta, mas a chave não encaixava... nisso, senti AAAA dor, virei pra hombressito e gritei TÁ NASCENDO! Ele colocou a mão embaixo de mim e disse que estava mesmo sentindo a cabeça de Bernardo. Pronto. Pânico geral. Com a dor, senti a necessidade de deitar e uma paciente que estava por perto correu pra pegar uns lençóis (a paciente me ajudou muuito!). Deitei ali mesmo, o que fez com que todos no hospital parou pra olhar "aquilo", e naquele desespero todo Laércio ajudou a médica a tirar Bernardo e depois colocá-lo em cima de mim. A médica gritava por uma caixa de parto e, de repente, quem tinha boca começou a chamar por algum funcionário que trouxesse essa bendita. Até o porteiro foi acionado!! Laércio levantou pra tentar agilizar o processo e só depois de um tempão (pra mim, uma era, mas laércio disse que foram 5 minutos) chegou a tal da caixa e finalmente o cordão umbilical foi cortado. Dá pra imaginar a cena?! Só então chegou o pediatra de plantão, que levou Bernardo pra ser examinado. Ainda deitada ORDENEI que hombressito fosse junto!!. Depois disso, enfim, subi numa maca. Eu simplesmente não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Pari com sandália, vestido, brinco e marrafa, no chão do hospital. E o mais louco, DEPOIS de Bernardo ter nascido, lindo e cabeludo, fui pra sala de cirurgia. Quando eu estava lá pra retirarem a placenta e tudo o mais, o médico substituto chegou. Como disse Laércio, só se foi pra sair na foto.
Só sei que viramos sensação no hospital e vez por outra entrava alguém no nosso quarto "só pra ver" o bebezão que nasceu no corredor.
Enfim, dores, sustos e emoções à parte, o mais importante é que Bernardo nasceu muito bem e prontíssimo pra conhecer e viver esse mundão maravilhoso.
Beijo grande,
Juliana