29 de julho de 2009

A vontade de saber


Na minha primeira gravidez ficamos sabendo que o bebê seria João entre o 5º e 6º mês de gestação, o que é bastante “tarde” quando se sabe que é possível conhecer o sexo a partir do 4º mês, às vezes até antes disso. A minha curiosidade existia, obviamente, mas não havia ansiedade em saber o mais rapidamente possível se eu teria um filho ou filha.

Nessa segunda barriga estou com o mesmo médico e vamos conhecer o sexo também no 5º mês. Na verdade, a teoria dele (eu concordo) passa pela necessidade. Fazemos uma ecografia por volta dos 3 meses para saber como estão batimentos cardíacos, se o desenvolvimento está satisfatório, etc ( Olhaí as imagens, tá tudo bem com o nosso!!). No mês seguinte, cientificamente, os dados importantes são basicamente os mesmos. Só haverá uma mudança importante, diz ele, entre a 20ª e 24ª semana, quando se deve fazer uma ecografia morfológica, para checar os ossos, órgãos, etc. Assim, o exame do 4º mês serviria única e exclusivamente para saber o sexo. É claro que isso é importante pros pais!!! mas, em termos de pré-natal, de acompanhamento do bebê, é indiferente.

Então não é uma questão de saber ou não, é de esperar um pouco para saber e eu, mesmo sendo muuuito impaciente, lido com isso numa boa. Mas o que tenho achado engraçado é que as pessoas estão mais ansiosas do que eu!! Todo mundo pergunta do sexo e fica quase indignado quando digo que ainda é desconhecido, mesmo eu estando com 18 semanas de gestação. Aí penso em como a tecnologia nos traz um novo mundo de possibilidades, mas também a “obrigação” implícita de aderir a elas, sob pena de ser considerado antiquado. “se você pode saber e não sabe, deve estar louca!”. Há trinta anos, minha mãe soube que eu era uma menina só na hora do parto!!!! não havia imagem precisa que chegasse ao ponto de mostrar todos os órgãos e, assim, era NORMAL preparar um enxoval “meio termo”.

A tecnologia é bem-vinda e eu adoro essa modernidade!!! mas temos que torná-la uma aliada e não o contrário. Um celular caríssimo e cheio de recursos em mãos leigas mais dificulta que facilita. O médico que, no lugar de fazer uso de seus conhecimentos como base e complementá-los com os exames ,“foge” do paciente e se agarra no raio-x é aquele que faz cesáreas desnecessárias, que medica uma dermatite sem nem encostar na pele do doente, que desaprende (ou nem aprende) a conversar com o paciente não sabe nem o que é olhar-lhe no olho.

Dentro desses padrões atuais, meu médico é antiquado. Mesmo sendo adepto do computador, faz os cálculos da idade do feto na mão, com uma divisão simples. (agora me diga, há quantos séculos não fazemos uma divisão no papel?!!!). Bom, ele errou por 4 dias o nascimento de João. A máquina errou por 17. Assim, nesses tempos em que até pra curar uma gripe mais pesada temos que fazer BATERIAS de exames, quando um médico diz que um exame é desnecessário eu confesso que fico até feliz. :)