Há pouco tempo eu e Laércio fomos chamados à escola de Luquinhas para conversar com a diretora. Já sabíamos o assunto. Muita conversa em sala, desatenção, e sinais desobediência contínua. Estávamos percebendo isso em casa e, na mesma semana, por coincidência, o homem responsável pelo transporte dele também me ligou falando de temas semelhantes.
Saí da reunião com a diretora muito triste. Laércio perguntou o que eu tinha e desabei no choro, um choro angustiado. Se sempre temos dúvidas filosóficas e práticas sobre a educação que damos aos pivetes, imaginem o dilúvio psicológico quando a própria escola te diz: “tem algo errado”.
Meu sofrimento vinha das palavras da diretora. Tudo o que ela falou era verdade. Lucas estava com algum problema e esse problema era maior do que ele estava conseguindo carregar. Precisávamos, então, encontrar a origem do comportamento, que poderia ser desde hiperatividade ou alguma questão fisiológica até uma lista de possibilidades psicológicas.
Qual seria o problema? onde estaríamos errando? Distância/ausência da mãe? Falhas minhas? de Laércio? de ambos? Ser madrasta é algo extremadamente complexo. A relação por si só precisa vencer barreiras gigantescas e ainda há o agravante do estereótipo social, que gera um desconforto só na menção da palavra madrasta. Para a criança, é como não ter mãe biológica (ela se sente inferiorizada na escola, no clube, no médico), e, para a madrasta, é ter escrito na teste que é uma mulher que cuida superficialmente do filho do marido. Um horror. Só sei que, na rotina diária, independentemente do estigma (não dominamos o que as pessoas pensam), o que precisa haver mesmo é muito amor e o meu é incondicional. Pra mim, ele É meu filho.
Quando chorei sofri por ele e por mim. Por ele porque meu pivete grande não estava bem. Por mim, porque olhar para si criticamente é muuuito difícil. E demanda coragem tripla. A de assumir o erro e a responsabilidade pelo resultado, e, depois, a de olhar adiante e tentar fazer diferente. E começamos a agir. Dupliquei a atenção dada a ele e reduzi pela metade o rigor das cobranças. Montamos novas estratégias nos finais de semana, incluindo sempre programas legais prum garoto de 12 anos. Mais conversa, novos temas, mais relaxamento.
As mudanças nele e na harmonia da casa já são visíveis e só mostram que estamos no caminho certo. E indica algo mais, os pais erram muito e sempre. Somos humanos. O único erro inaceitável na educação com amor é a omissão.
beijo grande!
27 de abril de 2009
2 de abril de 2009
R$ 1,50 por três horas de diversão
No úlitmo domingo perdi minha carteira e ainda sem saber da tragédia montei um super esquema para "dar conta" da diversão dos meus dois pivetes, já que Laércio estava trabalhando. Eu tinha que deixar Lucas no aniversário de um amigo, das 17 às 20h, e, para não voltar e atrapalhar a concentração de hombressito, pensei que poderia aguardar a festa acabar num farrão útil (daqueles que se brinca e se resolvem coisas) com João.
O lugar escolhido foi o Terraço Shopping, que tem brinquedos mis, piscina de bola, livraria e as Lojas Americanas (tudo de bom!!). Pois bem, depois de deixar luquinhas, fiz o anúncio pra João: Vamos nos divertir????? SIM!!!!. A cantoria no carro foi total. Entrei no shopping e não sei o que me deu na cabeça de olhar a carteira. Cadê??? Minha nossa! João, cadê minha carteira?
- você tá procurando a carteira, mamãe? tá? tá?
- tô sim. Meu deus, onde será que ela está. Revirei a bolsa, liguei pra casa e nada.
- João, volta pro carro, temos que ir embora.
- PRA CASA NÃO, MAMÃE, QUERO NÃO, QUERO NÃO, QUERO NÃO.
Quem iria querer, né? a gente mal tinha chegado! Tudo bem, fiz umas brincadeiras e falei da aventura de estacionar do lado de fora. E a bronca já começa por aí, sem dinheiro, nem no estacionamento do shopping você fica....
Voltando à história. Colocamos o carro lá fora e, depois de muito fuçar a bolsa, encontrei milagrosos R$ 1,50. Guardei no bolso da calça como nosso maior tesouro. Tá bom, o que vamos fazer... Deixa eu ver...
- Piscina de bola, mamãe!!!
- Ô João, não dá.... mamãe tá sem dinheiro.
Impressionantemente compreensivo, ele me alegrou com um "tá bom, mamãe. outro dia". E fomos para outros brinquedos numa área só de games. Se você estiver sem dinheiro, que seja com um garoto de 2, que se diverte até se o vento passar.
Dirigimos nos jogos de corrida e João sentou em todas as cadeiras para fazer a curva. Pulamos nos brinquedos, rimos das luzes e cores, e nenhum centavo foi gasto. Pra ele, estava tudo funcionando, mesmo sem fichinha ou cartão. não tem luz e som?? Então tá ótimo.
Quando cansamos, a brincadeira foi correr pelo shopping, "vou te pegar" e também de subir na escada rolante sem pegar na mão. Ele achou o máximo. A próxima parada foi a livraria. Passamos um tempão olhando e lendo l(inclusive encontrei o livro que eu estava querendo, mas na hora de "pagar" lembrei da minha situação). Vimos um bem legal de de um galo grande e João saiu de lá cantando "a galinha magricela". Uma coisa.
Tá bom, depois de tanta brincadeira, era hora do lanche. Eu tinha um suco na bolsa só faltava um fenomenal pão de queijo, que em hipótese alguma poderia custar mais do que R$ 1,50. Na primeira lojinha de Café, um pão de queijo enorme por R$ 150. Achei ótimo, mas pensei que ainda poderia encontrar um mais barato. Descemos rampas e escadas até a Casa do Pão de Queijo, onde eu sabia que os pães eram bem menores.
- Quanto é um pão de queijo?
- R$ 2.20.
- O que? isso tudo por esse pão de queijo minúsculo? Que absurdo.
João já estava salivando e com a mão esticada pra pegar o pão. Eu só podia rir da cena. Peguei ele no braço e disse... Xi, esse é muito pequeno. Vamos comer aquele grandão lá da loja de cima? ele ficou maravilhado e gritou "gandão, gandão, gandão, gandão!!!". Sentamos na mesa e nos deliciamos com um pãozão de queijo e um suco de caju, que ele não estava a fim e eu não tomei porque simplesmente detesto caju.
E pensa que acabou a farra? ainda fomos na loja de brinquedos, daquelas que são um sonho, olhamos um monte de coisas e saímos dando chau pros carros legais. Depois disso tudo, finalmente fomos buscar luquinhas e nos abrigar em casa.
Essas histórias nos fazem pensar nos dois lados da vida.... de como é difícil viver absolutamente sem dinheiro. No geral, não temos dinheiro pro graúdo, pras coisas maiores, mas um lanche aqui e ali a gente dá conta(graças!!). É dureza viver com centavos contados e sabemos que essa é a realidade de muitos... Por outro lado, é sim é possível fazer uma super farra e ser feliz como pinto no lixo, se a gente tiver o super poder de encontrar aquela alegria que não cabe nem na maior nota, nem na menor moeda.
beijos
O lugar escolhido foi o Terraço Shopping, que tem brinquedos mis, piscina de bola, livraria e as Lojas Americanas (tudo de bom!!). Pois bem, depois de deixar luquinhas, fiz o anúncio pra João: Vamos nos divertir????? SIM!!!!. A cantoria no carro foi total. Entrei no shopping e não sei o que me deu na cabeça de olhar a carteira. Cadê??? Minha nossa! João, cadê minha carteira?
- você tá procurando a carteira, mamãe? tá? tá?
- tô sim. Meu deus, onde será que ela está. Revirei a bolsa, liguei pra casa e nada.
- João, volta pro carro, temos que ir embora.
- PRA CASA NÃO, MAMÃE, QUERO NÃO, QUERO NÃO, QUERO NÃO.
Quem iria querer, né? a gente mal tinha chegado! Tudo bem, fiz umas brincadeiras e falei da aventura de estacionar do lado de fora. E a bronca já começa por aí, sem dinheiro, nem no estacionamento do shopping você fica....
Voltando à história. Colocamos o carro lá fora e, depois de muito fuçar a bolsa, encontrei milagrosos R$ 1,50. Guardei no bolso da calça como nosso maior tesouro. Tá bom, o que vamos fazer... Deixa eu ver...
- Piscina de bola, mamãe!!!
- Ô João, não dá.... mamãe tá sem dinheiro.
Impressionantemente compreensivo, ele me alegrou com um "tá bom, mamãe. outro dia". E fomos para outros brinquedos numa área só de games. Se você estiver sem dinheiro, que seja com um garoto de 2, que se diverte até se o vento passar.
Dirigimos nos jogos de corrida e João sentou em todas as cadeiras para fazer a curva. Pulamos nos brinquedos, rimos das luzes e cores, e nenhum centavo foi gasto. Pra ele, estava tudo funcionando, mesmo sem fichinha ou cartão. não tem luz e som?? Então tá ótimo.
Quando cansamos, a brincadeira foi correr pelo shopping, "vou te pegar" e também de subir na escada rolante sem pegar na mão. Ele achou o máximo. A próxima parada foi a livraria. Passamos um tempão olhando e lendo l(inclusive encontrei o livro que eu estava querendo, mas na hora de "pagar" lembrei da minha situação). Vimos um bem legal de de um galo grande e João saiu de lá cantando "a galinha magricela". Uma coisa.
Tá bom, depois de tanta brincadeira, era hora do lanche. Eu tinha um suco na bolsa só faltava um fenomenal pão de queijo, que em hipótese alguma poderia custar mais do que R$ 1,50. Na primeira lojinha de Café, um pão de queijo enorme por R$ 150. Achei ótimo, mas pensei que ainda poderia encontrar um mais barato. Descemos rampas e escadas até a Casa do Pão de Queijo, onde eu sabia que os pães eram bem menores.
- Quanto é um pão de queijo?
- R$ 2.20.
- O que? isso tudo por esse pão de queijo minúsculo? Que absurdo.
João já estava salivando e com a mão esticada pra pegar o pão. Eu só podia rir da cena. Peguei ele no braço e disse... Xi, esse é muito pequeno. Vamos comer aquele grandão lá da loja de cima? ele ficou maravilhado e gritou "gandão, gandão, gandão, gandão!!!". Sentamos na mesa e nos deliciamos com um pãozão de queijo e um suco de caju, que ele não estava a fim e eu não tomei porque simplesmente detesto caju.
E pensa que acabou a farra? ainda fomos na loja de brinquedos, daquelas que são um sonho, olhamos um monte de coisas e saímos dando chau pros carros legais. Depois disso tudo, finalmente fomos buscar luquinhas e nos abrigar em casa.
Essas histórias nos fazem pensar nos dois lados da vida.... de como é difícil viver absolutamente sem dinheiro. No geral, não temos dinheiro pro graúdo, pras coisas maiores, mas um lanche aqui e ali a gente dá conta(graças!!). É dureza viver com centavos contados e sabemos que essa é a realidade de muitos... Por outro lado, é sim é possível fazer uma super farra e ser feliz como pinto no lixo, se a gente tiver o super poder de encontrar aquela alegria que não cabe nem na maior nota, nem na menor moeda.
beijos
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