19 de fevereiro de 2009

SOCORRO, A BABÁ VAI EMBORA!!

Ter alguém pra ajudar a arrumar a casa e cuidar dos pivetes é quase uma regra depois que vêm os filhos. Antes deles, a gente dá um jeito, contrata diarista ou até tem empregada fixa, mas o problema é bem menor, afinal, o máximo que pode acontecer é a casa ficar desarrumada ou o almoço sem sal.

Simone, a pessoa que trabalha aqui, pediu pra sair, vai se mudar pra Bahia com o marido. Quase tive um treco. Primeiro de tudo porque ela cuida muito bem de João, dá atenção à Lucas, arruma a casa direitnho e escuta as coisas na primeira vez que a gente fala (como é raro encontrar alguém assim!!). Em segundo lugar, quem vai colocar João pra dormir quando eu estiver dando aulas à noite (Laércio chega tarde e viaja muito)????? Em terceiro, gostei dela e essa história da Bahia vai ser uma barca furada (começar do zero com um namorado novo e que não é muito afeito ao trabalho....), mas são coisas que se faz por amor e por isso fico na torcida pra que dê certo.

Só que torcidas à parte, passei uma semana do cão tentando montar alguma estratégia para não mais precisar de uma pessoa... tô cansada do desgaste, de readaptar tudo, ensinar as coisas, me acostumar com o jeito da pessoa (e do trabalho da pessoa). Sem falar nos medos de deixar o pivetinho sozinho com alguém que vc simplesmente não conhece....depois de ver e ouvir tanta coisa por aí.... Ui, é duro.

Mas não encontrei alternativa (a não se que a gente pare de trabalhar). Ou seja, vamos à luta, encontrar outra pessoa, sofrer na escolha (sabe o cansaço antecipado?), sofrer para adaptar (João tem uma dificuldade grande de readaptação) e torcer muito: pra ser alguém da paz, em seguida pra que dê certo, e depois pra que não vá embora depois de três meses de trabalho.

Taí, esse é um assunto que todo mundo tem história pra contar! cadê a de vocês!

13 de fevereiro de 2009

Tirania Infantil

O texto abaixo é de Contardo Galligaris e foi publicado ontem na Folha de São Paulo. Vale muito a reflexão!
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NA SEMANA PASSADA , o programa de Boris Casoy (TV Bandeirantes) quis me entrevistar sobre "tirania infantil", ou seja, sobre as crianças que os pais não conseguem controlar e que, de fato, controlam seus pais. Não consegui encontrar um horário para a entrevista; em compensação, fiquei o fim de semana inteiro meditando sobre a tirania infantil.

Claro, pensei na série "Supernanny", que, no Brasil, está na quinta temporada, no SBT. "Supernanny" é um reality show, no qual a educadora Cris Poli visita famílias que se inscreveram previamente pedindo a ajuda de uma superbabá. Poli observa, analisa o que acontece e aconselha os pais. As sugestões práticas de Poli já devem ter ajudado muitos pais desesperados: até agora, há mais de 30 mil famílias que se candidataram. Não é o caso de estranhar: o desespero dos pais que não conseguem controlar suas crianças é a consequência extrema de traços culturais específicos de nossa época.

1) A tirania infantil é o regime no qual vivemos: ela foi decretada há 200 anos, no mínimo. A partir do fim do século 18, acreditando ou não que haja uma vida no além, a gente começou a considerar que a morte é o fim da única vida que importa: a nossa. A continuidade da espécie, do vilarejo, do sobrenome, da alma ou da torcida organizada de nosso time pararam de ser um consolo: "Quando eu morro, a coisa acaba". Só uma exceção: as crianças, que se tornaram, para nós, a única forma concreta de sobrevivência: "Morro, tudo acaba, mas os filhos me continuam, eles jogarão por mim os tempos suplementares de minha vida".

2) Um efeito imediato dessa mudança cultural é que passamos a querer que as crianças sejam (ou pareçam) sempre "felizes". Desejamos que elas encenem a felicidade de nossa vida "futura", ou seja, de nossa vida como esperamos que ela continue depois da nossa morte. Por consequência, educar se tornou impossível: sei que, a longo prazo, Joãozinho e Mariazinha se darão melhor na vida se ele parar de fazer cocô na sala e ela deixar de visitar a cama dos pais a cada noite, mas negar-lhes esses "prazeres" significa encarar um espetáculo de choros, gritos e raiva. Como aguentar a infelicidade daqueles que são encarregados de me mostrar desde já a felicidade que eu não tive, mas que terei post mortem? Frustrar os filhos significa admitir que nossas frustrações sobrevivem à gente, que, de uma maneira ou de outra, elas continuam na nossa descendência.

3) Na mesma época em que as crianças se tornaram representantes de nossa vida além da morte, começamos a organizar nossa sociedade pelos sentimentos. Não só nos casamos por amor, mas até nossos laços de sangue pouco valem sem os afetos. Passamos de um mundo em que havia laços com ou sem sentimentos (tanto fazia) a um mundo em que os sentimentos são condição dos laços. Por exemplo, para ser pai ou mãe é preciso ser reconhecido e amado como pai ou mãe; o respeito não é gratuito nem "natural": ele é ganho como se ganha o afeto do outro em qualquer relação.

Os pais modernos devem, em suma, conquistar (e manter) seu lugar no coração e na cabeça dos filhos. Sem isso, eles param de ser pais. Portanto, a cada vez que eles impõem um castigo ou fincam o pé, eles são corroídos pelo medo de perder seu próprio lugar de pai e mãe, porque 1) as crianças poderiam deixar de amá-los; 2) eles mesmos estariam, naquele instante, deixando de amar suas crianças. Certo, na hora da irritação, amamos menos nossos rebentos; problema: se o amor é condição dos laços, eis que a família é ameaçada de dissolução por nossa "severidade". Castigar parece valer como uma expulsão do lar.Por isso, os pais não conseguem castigar sem culpa, e as crianças castigadas, por exemplo, fogem de casa, entendendo que seu lugar não é mais ali.

4) Como se não bastasse, o castigo é imediatamente acompanhado por seu contrário. Os pais tentam se impor e se fazer valer (recorrendo, exasperados, até à força), mas, com isso, receiam perder o amor da criança e seu amor por elas, ou seja, receiam acabar com a família. Logo, quando eles castigam, querem imediatamente "reparar" o amor: a educação se transforma assim numa alternância repentina de pancadas e mimos.

Tranquilize-se: as crianças não enlouquecem; mas se tornam, isso sim, manipuladoras, ou seja, aprendem a produzir elas mesmas a alternância que desejam: "Castigue-me, que estou a fim de um mimo".

ccalligari@uol.com.br

11 de fevereiro de 2009

Suvaco da Asa

Eu e Laércio fomos à prévia carnavalesca Suvaco da Asa no último sábado. Muito bom! uma folia bem pernambucana, do jeito que o diabo gosta.

Lucas não quis ir porque estava na casa de um colega... nessa idade, sem companhia tudo é chato. João não foi, mesmo eu sabendo que muitos pais levariam seus pivetinhos para ver a folia. Achamos melhor não. Ele não aguentaria o percurso, ia querer braço e só braço, na hora dos apertos teríamos que sair pelas laterais e acompanhar a orquestra seria impossível. Dá sim pra levar os pivetes, mas tem que ficar parado num canto, e ver tudo quase de perto. Ele não ia se divertir, nem eu. Não é questão de preguiça ou de canseira (a gente aguenta o tranco!), é que às vezes precisamos ser racionais e pensar no que realmente dá pra fazer, sob pena do resultado ser desastroso. É claro que em muitos casos não temos escolha, (a babá de João não trabalha nos findes) então vai na marra mesmo. Ou então (como foi o caso), é preciso montar a estrutura uma semana antes - tive que dar folga na sexta-feira pra que ela estivesse aqui no sábado (obviamente, achando péssimo). Enfim, tudo deu certo, nós brincamos no Suvaco e nosso galego de moto, no paquinho que adora.

Lá na folia não me arrependi em nada da decisão, ao contrário, fiquei feliz por termos acertado. Então João não vai ter carnaval???? Claro que vai!!! tem um monte de bloco que ele vai amar curtir, com garotada feliz como pinto no lixo. E nós estaremos lá, em todos, curtindo com ele a farrinha que é do tamanho dele. É claro que não é Recife (nem o acho é pouquinho!).... mas a farrinha carnavalesca dele ele vai ter. Às vezes erramos a previsão.... mas o fato é que se a gente souber (TENTAR) fatiar bem a pizza, dá pra todo mundo comer um pedaço sozinho e outro dividindo as mordidas.

5 de fevereiro de 2009

Gente grande


João tá virando gente e curtindo ser parte de uma família. Quem não gosta, né? Como ele vinha desabado da escola (e por isso almoçava por lá) passava com morfeu as horas do almoço. Agora, chega acordadíssimo, então consegue brincar enquanto esperamos luquinhas vir do colégio. É lindo ver. Quando Lucas aparece ele fala logo,"vamos comer todo mundo? "todo mundo?".

Aí a lavação de mãos é na mesma hora e todos partimos para a mesa, que já tem o pratinho dele no lugar que é dele. Com a ajuda de duas almofadas ele senta, todo organizado, e começa a falar o que vai querer (quer tudo! risos). Enquanto come como um lorde (de boca fechada e sem bagunça) repete mil vezes "tá comendo todo mundo". Quando a frase não é essa, é uma ordem: "come, Luquinhas"; "come, mamãe". risos. A alegria dele é a de comer (sim, ele ama comer!!), só que é mais do que isso, é a alegria de simplesmente estar juntinho da mamãe, do irmão e do papai (quando dá), fazendo todo mundo a mesma coisa. E à mesma altura. Ali ele ouve e participa das conversas:"depois que comer vamos brincar de carro, tá certo?". Por dentro eu morro de rir, achando tudo de bom ver aquele que era um pedaço galego de carne virar gente e o outro, que já era gente, virar gente grande.